Doenças causadas por HPV custam anualmente 45,8 ME ao Estado

Dados de um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública.

As doenças causadas pelo papilomavírus humano (HPV) representam um custo anual
para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) estimado em 45,8 milhões de euros, revela
um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública.

O estudo, que será divulgado hoje em Lisboa no congresso “Eurogin 2011”,
visou estimar a carga de doenças relacionadas com HPV em homens e mulheres e
teve como base a incidência e os custos totais para o SNS, bem como o total de
mortes por cancro ocorridas em 2009 em Portugal.

A investigação focou em especial os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18, abrangidos
pela vacina quadrivalente integrada há três anos no Plano Nacional de Vacinação.
Os cancros da cabeça e pescoço, do colo do útero e verrugas genitais são as
doenças que representam os maiores encargos financeiros entre as doenças
relacionadas com HPV.

Segundo o resumo do estudo, a que a agência Lusa teve acesso, os custos
totais com estes quatro tipos de HPV representam cerca de 24,2 milhões de euros
(52,9% dos custos totais de doenças por HPV).

Embora as verrugas genitais não sejam tão relevantes em termos de
mortalidade, a sua incidência e os custos totais com diagnóstico e tratamento
representam um custo estimado de 8,5 milhões por ano, superiores aos custos
totais estimados em 2009 para tratamento do cancro do colo do útero.

O estudo refere ainda que a administração da vacina poderá traduzir-se numa
poupança anual estimada de 11,5 milhões de euros em diagnóstico e
tratamento.

O coordenador do estudo “Impacto da Vacinação com a Vacina Quadrivalente em
Portugal: 2007-2011” adiantou à Lusa que a “longo prazo”, mais de 30 anos, o
Estado poderá poupar cerca de 114 milhões de euros em despesas com estas
doenças.

O estudo, que teve em conta o universo de cerca de 285 mil adolescentes e
mulheres já vacinadas, estima, considerando o ciclo de vida da mulher, o
seguinte impacto em termos de casos evitados: 422 mortes por cancro do colo do
útero, 2.225 novos casos, 24.082 casos de lesões pré-cancerosas do colo do útero
(CIN 2/3) e 19.352 casos de verrugas ou condilomas genitais.

Estes ganhos em saúde refletem-se também em ganhos financeiros com uma
poupança de custos de diagnóstico e tratamento estimado em 114 milhões de euros:
59 milhões em lesões pré-cancerosas do colo do útero (CIN 2/3), 30 milhões em
cancro do colo do útero e 11,5 milhões de euros em verrugas ou condilomas
genitais.

“O facto de existir uma vacina que protege contra os condilomas genitais, que
apresentam um custo anual de cerca de 5,4 milhões de euros para cerca de 9.000
novos casos em mulheres” pode permitir ao Estado a poupança de 11,5 milhões de
euros a longo prazo no tratamento destas lesões”, adiantou Carlos Costa.

A vacina está disponível em Portugal desde 2007 e, até ao momento, já foram
distribuídas cerca de 1 milhão de doses, das quais 870 mil doses foram
administradas no âmbito do PN

Em Portugal, a incidência estimada do cancro do colo do útero, da vulva e da
vagina é, respetivamente, de 18, 4 e 1 em 100.000 habitantes. A incidência
estimada de verrugas genitais em mulheres é de 197 por 100.000.

Para os homens, a incidência estimada de verrugas genitais e do cancro do
pénis é, respetivamente, 269 e 2 por 100.000 habitantes.

Carlos Costa adiantou à Lusa que cerca de 270 mulheres morrem anualmente em
Portugal com cancro do colo do útero.

09 de Maio de 2011

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