Diretor de programa oncológico diz que nem todos os medicamentos inovadores são úteis

Especialista alerta que aprovações destes fármacos são cada vez mais precoces
15 de janeiro de 2014 - 15h33



O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, disse hoje que “nem todos os medicamentos inovadores são igualmente úteis” e que, em oncologia, existe uma “sobrevalorização” de medicamentos.



Nuno Miranda falava durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, requerida pelo PS, CDS-PP e PCP, a propósito do documento “em defesa dos doentes oncológicos”, elaborado por 65 oncologistas contra o despacho que regulamenta a prescrição e dispensa de medicamentos inovadores.



“Temos gato por lebre. Nem todos os medicamentos inovadores são igualmente úteis”, disse, lembrando que cada medicamento novo que chega ao mercado custa 70 a 100 mil euros por ano e doente.



Segundo Nuno Miranda, as aprovações destes fármacos “são cada vez mais precoces”, existindo casos em que posteriormente são retirados do mercado.



A este propósito, deu o exemplo de um medicamento que, apesar de ter aprovação da FDA (Estados Unidos) e EMEA (Europa), não foi aprovado pelo Infarmed, em Portugal, e que mais tarde foi retirado do mercado por causar mais danos do que benefícios.



Para o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, o despacho que motivou as críticas dos 65 oncologistas “só por si tenta transmitir apenas equidade”.



“O despacho aprova um programa de monitorização em relação a estes medicamentos, mas o doente pode continuar a ser seguido nos hospitais de origem, o qual assegurará os custos associados. Como se vai fazer [entre os IPO e os hospitais de origem] a articulação não sei”, disse.



As novas regras determinam que os pedidos de medicamentos inovadores passem a ser fundamentadamente formulados por Centros Especializados para Utilização Excecional de Medicamentos (CEUEM) que são, para a área da oncologia, apenas os três IPO.



A este propósito os administradores dos IPO de Lisboa, Porto e Coimbra apresentaram aos deputados indicadores destas unidades de saúde, como o facto de representarem mais de 50 por cento do atendimento dos doentes e “provavelmente dos mais complicados”, como lembrou o presidente do IPO do Porto.



Este responsável disse que existem hospitais que têm orçamentos superiores aos 258 milhões de euros adstritos aos IPO, sublinhando o grau de complexidade dos doentes atendidos nestas três estruturas.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários