Dietistas querem portugueses a contribuir para definição de 20 desafios alimentares

Organização Mundial de Saúde aconselha cerca de 400 gramas de consumo diário de frutas e legumes
3 de abril de 2014 - 16h51



A Associação Portuguesa de Dietistas (APD) vai desafiar os portugueses, empresas, associações e instituições a contribuírem para a definição de 20 desafios alimentares, que terão de cumprir até 2020, revelou hoje à Lusa a presidente da associação.



Ainda “há muito trabalho” a fazer na área da saúde alimentar, disse Zélia Santos, que falava à Lusa a propósito do Congresso Português de Dietética e Nutrição 2014 – Desafios 20/20, promovido pela APD, que decorre sexta-feira e sábado, em Lisboa.



“Já passaram 14 anos desde a entrada no século XXI, muito se tem falado em alimentação e muitos temos vinculado a informação de como é que deve ser feita uma adequada alimentação, mas a verdade é que quem faz clínica nas consultas de dietética e nutrição percebe que, mesmo assim, as pessoas têm muita dificuldade em aplicar” o conhecimento que vão adquirindo, sublinhou.



No congresso, os profissionais de saúde vão debater com a sociedade civil, instituições e empresas do setor “alguns dos desafios importantes a trabalhar na saúde alimentar”, para lançar as “plataformas que alimentam estes desafios”, no Dia Mundial da Saúde, que se assinala na segunda-feira.



O objetivo é apresentar os desafios no Dia Mundial da Família, no dia 15 de maio, avançou a dietista, considerando que é preciso alterar alguns hábitos alimentares que estão enraizados na vida dos portugueses.



Alguns dos desafios passam por aumentar o consumo de fruta e legumes, mas também de produtos lácteos, como o iogurte, avançou.



“É preocupante o facto de o consumo de fruta e legumes estar a diminuir”, apesar das várias campanhas que têm sido feitas na área da promoção da saúde para incentivar este consumo, sublinhou.



A Organização Mundial de Saúde aconselha cerca de 400 gramas de consumo diário de frutas e legumes, mas um estudo recente já recomenda passar para o dobro estes valores para prevenção de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes tipo II e alguns tipos de cancro.



“Se sabemos que a nossa sociedade sofre cada vez mais destas patologias crónicas não transmissíveis, e se uma das bases da prevenção está nas regras básicas de uma alimentação saudável, então, porque não aplicar aquilo que todos sabemos de cor?”, questionou-se Zélia Santos, considerando que “algo está a falhar”.



Para a dietista, já não bastam apenas campanhas de sensibilização: as entidades governamentais, as empresas, as instituições têm de “adotar alguns comportamentos e práticas nesta promoção de alimentação saudável e sustentável”.



“Há muito ainda por fazer na questão da rentabilização dos recursos, do desperdício alimentar” e as ementas das escolas, das empresas e das instituições “podem e devem ser trabalhadas”, adiantou a especialista.



Perante esta realidade, a APD pretende envolver os portugueses para que desempenhem “um papel ativo e participativo na construção dos Desafios 20/20”.



Para isso, vai realizar ações de capacitação e fomento da literacia alimentar direcionadas a todas as idades durante o congresso.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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