Dieta mediterrânica reduz em um terço risco cardiovascular

Investigação clínica realizada pela Universidade de Barcelona com 4.479 pessoas
27 de fevereiro de 2013 – 10h07



Já se sabia que a dieta mediterrânea era importante no combate à obesidade, mas este regime alimentar rico em azeite, frutas secas, peixe, fruta, vegetais e vinho também reduz em 30% o risco de doenças cardiovasculares, revela o maior estudo sobre o tema realizado em Espanha.



A investigação clínica, que corrobora observações anteriores, foi realizada pela Universidade de Barcelona com 4.479 pessoas, entre homens e mulheres de 55 a 80 anos, durante cinco anos.



"Comprovámos que uma dieta alimentar mediterrânica sem restrições quantitativas, complementada com azeite ou frutas secas, reduz substancialmente o risco de crises cardíacas e acidentes vasculares cerebrais em pessoas que têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares", escreveram os autores do estudo, dirigido por Ramón Estruch, professor de Medicina da Universidade de Barcelona.



Os resultados foram publicados na segunda-feira na edição online da revista científica New England Journal of Medicine.



Os participantes foram divididos em três grupos. O primeiro foi submetido a dieta mediterrânica tradicional, com o consumo de, pelo menos, quatro colheres de sopa de azeite nas suas refeições diárias.



O segundo grupo, também sujeito a uma dieta mediterrânica, consumiu cerca de 30 gramas de uma variedade de nozes, amêndoas e avelãs todos os dias. Os participantes destes dois grupos comeram diariamente pelo menos três porções de fruta e duas de legumes.



O terceiro grupo foi regido por uma dieta à base de produtos com baixo teor de gordura, grãos, frutas e legumes.



Durante os cinco anos de estudo, 288 participantes tiveram ataque cardíaco ou morreram devido a doença coronária. De acordo com os dados do estudo, as pessoas das duas primeiras dietas tiveram menos 28 e 30% de propensão a desenvolver uma doença cardíaca, comparativamente com os do terceiro grupo, escreve a Reuters.



Os autores estimam que "os suplementos de azeite e de frutas secas explicam provavelmente a maior parte dos benefícios observados na dieta mediterrânea nos dois grupos”, adianta o estudo.



É a mistura dos vários ingredientes da dieta mediterrânica – e não um ingrediente em particular – que promove a saúde do coração, diz Angel Martinez-Gonzalez, co-autor, da Universidade de Navarra.



O estudo conclui que este tipo de alimentação contribui para baixar a pressão sanguínea e o colesterol, fatores de risco no que toca a doença cardiovascular.



“Esta boa fonte de calorias substitui a outra má fonte de calorias”, comenta o investigador, citado pela Reuters.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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