Em Portugal existem cerca de 16 mil doentes renais crónicos terminais, dos quais cinco mil já foram transplantados, cerca de 10 mil fazem hemodiálise tradicional e apenas 600/700 fazem diálise domiciliária, disse hoje o nefrologista Manuel Pestana.

O especialista, diretor do Serviço de Nefrologia do Centro Hospitalar de São João, falava à Lusa a propósito de uma reunião que se realiza no sábado, no Porto, destinada a discutir o “estado da arte” da diálise domiciliária em Portugal.

“Apesar de a diálise peritoneal ser uma técnica que pode ser realizada pelo próprio doente no seu domicílio, ainda não tem grande expressão em Portugal”, disse Manuel Pestana.

Trata-se de uma terapêutica alternativa à hemodiálise tradicional feita em centros ou hospitais, que dispensa máquinas e que o doente pode aprender de forma relativamente fácil, ao fim de alguns dias de treino.

Este método utiliza como filtro a membrana peritoneal que reveste a parede do abdómen e o doente faz o tratamento através da introdução de um líquido com uma composição adequada através de um cateter com o qual anda permanentemente.

“É através desse líquido que drena na cavidade abdominal que se vai purificando o sangue no organismo, mantendo-se um equilíbrio metabólico idêntico ao que se obtém com a hemodiálise tradicional”, salientou.

Além disso, sustentou o especialista, “nenhum dos tratamentos implica custos para o doente, uma vez que são suportados integralmente pelo Serviço Nacional de Saúde”.

Já no que diz respeito a custos relativos para o SNS, a diálise peritoneal “traz benefícios porque fica mais económica em solutos e em transporte”.

De acordo com o nefrologista, a diálise peritoneal “é, sobretudo, escolhida por doentes mais jovens, que prezam a sua autonomia, que têm uma atividade profissional e que necessitam dessa autonomia e disponibilidade de tempo para garantir essa atividade”.

17 de novembro de 2011

@Lusa