Diagnóstico tardio de doença renal crónica pode levar à diálise, transplante ou morte prematura

Numa fase avançada, a doença renal crónica pode afetar a função óssea
17 de setembro de 2013 - 15h18



A doença renal crónica caracteriza-se pela perda lenta e progressiva da função renal, que se manifesta apenas quando já está num estadio muito avançado. O alerta é da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) que refere ainda que as principais causas da falência renal são a diabetes e a hipertensão arterial, sendo a anemia, a doença óssea e o aumento da pressão arterial algumas das consequências mais graves.



Existem cinco estádios da doença, de acordo com o grau da lesão e a perda da função renal. O estadio cinco acontece quando o doente já perdeu mais de 85% da função renal e é por isso necessária uma terapia de substituição da função renal.



“É fundamental que o diagnóstico seja feito na fase inicial da doença porque esta pode ser controlada e tratada”, refere Fernando Nolasco, Presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN). De acordo com o nefrologista “a medição dos índices de creatinina no sangue é uma forma simples e eficaz de saber se os rins estão a funcionar normalmente e é muito importante porque a insuficiência renal é uma doença silenciosa que apenas se manifesta quando já está numa fase muito avançada”.



A creatinina é um elemento que circular no sangue e que serve como sinalizador do funcionamento dos rins. Nas pessoas saudáveis o seu valor apresenta uma variação em relação ao género e ao volume de massa muscular, ou seja, a sua concentração no sangue é maior nos homens e nos atletas e menor nos idosos, crianças e mulheres. Contudo, os seus valores aumentam à medida que a função dos rins diminui e tornam-se significativos quando existe uma perda de mais de 50% da capacidade renal.



Numa fase avançada, a doença renal crónica pode afetar a função óssea, levando a que o doente sofra de constantes fraturas, dores crónicas, problemas vasculares e até morte prematura. O Hiperparatiroidismo secundário, como é conhecido, pode ser controlado por um exame de sangue que mede a concentração de cálcio no sangue e que permite ao doente controlar melhor os seus níveis de vitamina D e, consequentemente ter uma melhor qualidade de vida.



Os hábitos alimentares saudáveis, um peso adequado e a ausência de hábitos tabágicos são algumas das medidas que ajudam a prevenir a doença renal crónica. “O estilo de vida saudável e o diagnóstico precoce ajudam a diminuir ou evitar a progressão desta doença”, conclui o Presidenta da SPN.



Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem qualquer possibilidade de recuperação.



Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem atualmente cerca de 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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