DGS diz que é habitual morrerem 12 mil a 13 mil pessoas no inverno

Há mais mortes do que seria de esperar desde há três semanas, mas segundo a DGS o facto é "habitual" no inverno e o mesmo fenómeno está a verificar-se também em Inglaterra, na Escócia e na Holanda, entre outros países.
créditos: MARIO CRUZ/LUSA

Para tentar desfazer a confusão sobre os números da mortalidade que têm sido divulgados nos últimos tempos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) fez questão de explicar que "habitualmente morrem no mês de janeiro entre 12 mil e 13 mil cidadãos”, enquanto em agosto os óbitos oscilam entre os 7 mil e os 8 mil. Estas diferenças "observam-se sempre", frisa a DGS num esclarecimento publicado na segunda-feira.

O esclarecimento surge um dia depois de o ministro da Saúde, Paulo Macedo, ter defendido que o registo da DGS que aponta para a ocorrência de "700 mortes" nos primeiros 20 dias deste mês nos serviços de urgência dos hospitais públicos "não tem nada de assustador".

Paulo Macedo explicou aos jornalistas que todos os anos há um grande número de óbitos no inverno.

"Há uma alteração de hábitos culturais" considerou o governante à Lusa, notando que se constata que "há mais pessoas que vão falecer hoje em dia aos hospitais". Em 2015, a DGS estima que irão morrer entre 105 mil e 107 mil portugueses e, destes, mais de 60 mil morrerão em estabelecimentos hospitalares, incluindo serviços de urgência.

Há mais mortes do que seria de esperar desde há três semanas, mas segundo a DGS o mesmo fenómenos verifica-se não só em Portugal, mas também em Inglaterra, na Escócia e na Holanda, entre outros países.

Em Portugal, uma das justificações será a onda de frio, já que o valor médio das temperaturas mínimas foi inferior em relação ao valor normal para a época "em 2,4 graus Celsius".

Entretanto, o ex-ministro da Saúde do PS Correia de Campos decidiu, ontem, aconselhar Paulo Macedo a não apertar “mais a tarraxa” das restrições financeiras. "Passaram quatro anos e os efeitos da crise quase desapareceram [sem grande dor], nos primeiros três anos. Mas, neste momento, o equipamento, as instituições, começam a fraturar-se”, disse Correia de Campos, em declarações à Lusa.

"Acho que chegou a um ponto em que ele [Paulo Macedo] não pode apertar mais a tarraxa", concluiu.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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