DGS considera preocupante venda de antibióticos para animais sem receita

87% das farmácias vendem antibióticos sem qualquer solicitação de receita médica
4 de outubro de 2013 - 16h45
O Diretor-Geral da Saúde classificou hoje de “preocupante” os resultados de um estudo encomendado pela Ordem dos Veterinários sobre a venda de antibióticos de uso animal sem receita e disse que “não pode haver tolerância” a esta prática.
“Vamos ter de levar muito a sério novas regras para utilização de antibióticos, quer em saúde pública humana, quer em saúde animal”, disse à agência Lusa Francisco George, à margem de uma conferência sobre aleitamento materno, que decorre em Lisboa.
Segundo um estudo encomendado pela Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), cujas conclusões a Lusa divulgou hoje, indica que “a esmagadora maioria das farmácias de Lisboa e Porto vende antibióticos para animais sem receita do médico-veterinário”.
Em média, apurou o estudo, “87% das farmácias vendem antibióticos sem qualquer solicitação de receita médica e, destas, mais de 50% sugeriram o tratamento para o animal e escolheram o antibiótico que venderam”.
A OMV classifica a situação como “muito grave” e a sua bastonária transmitiu hoje mesmo estas apreensões a Francisco George.
Para o Diretor-Geral de Saúde, as conclusões do levantamento são “preocupantes”. “Sabíamos que existia, mas não com a magnitude que é agora exibido pelo estudo”.
Francisco George alerta para o facto do fenómeno da resistência das bactérias aos antibióticos ser consequência do uso individuo de antibióticos, quer em saúde pública humana, quer em veterinária.
“A dispensa só pode ser realizada no seguimento de uma prescrição médica: médico de seres humanos ou médico veterinário para animais”, disse.
O Diretor-Geral da Saúde insiste na necessidade de todos levarem “muito a sério novas regras para utilização de antibióticos, quer em saúde pública humana, quer em saúde animal”.
Questionada sobre as conclusões do estudo, a Associação Nacional das Farmácias (ANF) classificou-o de “especulativo”.
O estudo, prossegue a associação, “não evidencia nenhuma prática menos adequada por parte das farmácias, não evidencia nenhum problema para a saúde pública e pretende apenas criar uma cortina de fumo sobre o verdadeiro problema de utilização de antibióticos na exploração animal”.
Segundo a ANF, “a utilização da receita médica veterinária é ainda muito incipiente, mesmo para os médicos veterinários”.
“A receita normalizada não tem sido uma prática de prescrição dos médicos veterinários, mesmo nas condições legais em que está prevista a sua utilização em animais domésticos, que é bastante restrita”.
Para a associação, “a questão da utilização de antibióticos nos animais e o seu impacto na saúde pública é muito relevante nas explorações animais, uma vez que são esses que entrarão na cadeia alimentar”.
“Desconhecemos, até ao momento, qualquer avaliação das entidades oficiais e da Ordem dos Médicos Veterinários sobre a utilização da receita médica nos animais de exploração, os estudos ou inspeções efetuadas e a análise sobre os resíduos de antibióticos nos alimentos”.
“Esta sim deveria ser a prioridade da Ordem dos Médicos Veterinários”, refere a ANF.

Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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