Desvalorização do álcool e canábis entre jovens é maior e está a preocupar técnicos, revela estudo

Média de idades de iniciação no caso do álcool é aos 11 anos, indica estudo

22 de abril de 2014 - 15h22

A desvalorização do álcool e da canábis pela sociedade é uma das principais preocupações dos técnicos que trabalham na prevenção de substância psicoativas junto dos jovens, foi hoje revelado.

O alerta foi deixado por Ana Soledade, responsável técnica pela prevenção do Centro de Respostas Integradas (CRI) de Leiria, à margem da apresentação do projeto Like Saúde, organizado pela Câmara Municipal de Leiria, PSP, GNR e Administração Regional da Saúde do Centro.

O diagnóstico que o CRI tem junto das escolas de Leiria aponta para "um consumo essencialmente de álcool e canábis", revelou Ana Soledade.

"O álcool é um problema, porque é a droga mais consumida pelos jovens em Portugal e em Leiria. Está a haver um maior consumo, porque é desvalorizado. A média de idades de iniciação é aos 11 anos e junto das famílias. Lá está a desvalorização do álcool", informou a técnica do CRI.

Também a canábis "é a droga ilegal" que mais preocupa quem trabalha na prevenção. "É mais consumida e, mais uma vez, o seu consumo é desvalorizado, o que aumenta com as notícias da sua legalização em alguns países e com as informações de que serve para fins terapêuticos".

Ana Soledade afirmou que é importante "dar informação verdadeira e real", pelo que confirma que "a canábis pode ser usada para fins terapêuticos, tal como o princípio que está na heroína", mas advertiu que os medicamentos também são drogas e não se tomam sem se estar doente.

"Os jovens em Leiria também usam o tampão embebido em álcool para apanharem uma bebedeira mais rapidamente sem cheiro e alinham nos desafios como o ‘neck nomination’, a ver quem é que consegue fazer mais coisas com a maior quantidade de álcool ingerido. Estes riscos são cada vez maiores, porque eles não sentem que há um problema com estes consumos", alertou.

É para ajudar a combater estes mitos e procurar consciencializar os jovens para o risco que correm com o consumo de substâncias psicoativas, que o projeto Like Saúde foi lançado.

A vereadora da Câmara de Leiria, Anabela Graça, explicou que um dos objetivos do Like Saúde passa por "criar um plano de formação para os diferentes agentes preventivos".

Dirigido, sobretudo, aos alunos do 3.º ciclo e secundário, o projeto prevê várias ações de formação para os diretores e coordenadores de saúde das escolas públicas e privadas do concelho de Leiria, bem como para os assistentes operacionais pais e encarregados de educação.

"O programa pretende evitar problemas", destacou ainda a vereadora, salientando que a formação será preparada em conjunto pelos organizadores, com o apoio das entidades parceiras: Escola Superior de Saúde de Leiria, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria, Rede de Cooperação e Aprendizagem - Centro de Formação.

Pensado para os próximos três anos, a programação agendada para o próximo ano letivo será avaliada no final do mesmo. "O objetivo é construir um novo programa para o ano seguinte", explicou Anabela Graça.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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