Desfile com corda ao pescoço alerta para a falta apoios à saúde mental

Mais de meia centena de pessoas desfilou esta segunda-feira no Porto, de corda ao pescoço, num protesto silencioso cujo objetivo era "alertar as autoridades de saúde para os problemas das pessoas que têm doença mental", bem como reivindicar mais apoios.
créditos: FERNANDO VELUDO / LUSA

A ação foi promovida por uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), a ENCONTRAR+SE, que tem sede no Porto e apoia quase uma centena de utentes desde 2008, mas que “está em situação limite", de acordo com José Augusto Pereira, porta-voz do grupo de familiares e utentes que esta manhã marcou presença no protesto.

"A corda ao pescoço simboliza o estado terminal da ENCONTRAR+SE e dos cuidados com a saúde mental em Portugal", disse o porta-voz, descrevendo doenças mentais, algumas delas crónicas, que podem causar situações muito incapacitantes para os pacientes.

José Augusto Pereira explicou que a ENCONTRAR+SE presta serviços de psicologia, psiquiatria e terapêuticos. Também organiza atividades para ocupação dos utentes e apoio aos familiares, entre outras ações e apoios, "quase a título gratuito" e fruto de "ajudas pontuais e patrocínios"

É ambição desta IPSS "sem fins lucrativos" ser integrada na Rede de Cuidados Continuados nacional.

"Existe no sistema nacional uma lacuna deste tipo de serviços e de alguma forma a ENCONTRAR+SE substitui-se ao Estado na obrigação de apoiar doentes e famílias. Portanto, achamos que deveríamos receber apoio e ser integrados na rede pública. Sem um apoio, a ENCONTRAR+SE está condenada e os utentes deixarão de ter estes serviços", descreveu José Augusto Pereira.

A ação decorreu em frente à sede da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N), no Porto, e o grupo contou aos jornalistas que também já fez diligências junto do Ministério da Saúde.

"Prometeram resolver o problema mas têm dado respostas inconclusivas e vagas. Dizem que vão integrar num orçamento e depois em outro e nada", explicou o porta-voz referindo-se aos responsáveis da ARS-N que, por sua vez, contactados pela agência Lusa, preferiram não comentar.

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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