Desemprego estimula recaída de toxicodependentes

O desemprego, os problemas financeiros e a inadequação social são alguns dos fatores que levam à recaída de toxicodependentes em tratamento, segundo as conclusões de um estudo desenvolvido pela Universidade de Vila Real.
créditos: AFP/JOHANNES EISELE

Os investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e alto Douro (UTAD), em Vila Real, quiserem entender quais as maiores resistências a uma recuperação plena dos toxicodependentes.

“E aquilo com que nós nos deparámos é que o problema fundamental e que leva às recaídas é que os indivíduos após o tratamento regressam a situações de desespero social, não têm empregos e é fundamentalmente isso”, afirmou hoje à agência Lusa Vasconcelos Raposo, docente do departamento de Educação e Psicologia.

A investigação incidiu numa Comunidade Terapêutica (CT) e num Centro de Respostas Integradas (CRI) do Norte e recorreu à técnica de entrevista a pessoas com problemas de droga, com idades compreendidas entre os 25 e os 48 anos.

Segundo o estudo, para a recaída, os sujeitos os apresentam uma variedade de fatores e razões que atuam simultaneamente, sobressaindo a “inadequação social, desemprego, problemas financeiros, escolha de companhias, consumo de álcool, falta de controle de uso de substâncias psicoativas quando em tratamento de substituição, dificuldade em lidar com sentimentos e com adversidades e estados emocionais negativos”.

“Os serviços de saúde ao focarem o tratamento apenas nos aspetos médicos descuram os outros aspetos de caráter social e que são de primordial importância, nomeadamente aqueles que são os alicerces para uma boa integração social”, afirmou o investigador.

E entre esses fatores, Vasconcelos Raposo destacou o emprego. “Ter um sentido de valor pessoal que é dado por essa situação de estar empregado e também de ter um salário condigno”, acrescentou.

Comentários