Descoberta no leite humano proteína capaz de neutralizar o VIH

Amamentação é uma das formas de transmissão do vírus
23 de outubro de 2013 - 08h43



Cientistas norte-americanos descobriram, no leite materno humano, uma substância que poderá proteger os bebés da infeção pelo vírus da sida e que poderá abrir caminho para novos estudos no combate à doença.



Os resultados foram publicados na segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.



A substância natural - uma proteína chamada tenascina-C ou TNC - já era conhecida por promover a cicatrização das feridas, mas até agora não tinha sido detetada no leite.



A amamentação é uma das vias de transmissão do vírus da sida das mães para os seus bebés. Em 2011, segundo as estimativas da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 330 mil crianças no mundo terão sido infetadas pelo VIHl, à nascença ou pouco depois, incluindo através da amamentação.Para prevenir esse contágio, utilizam-se medicamentos antirretrovirais, mas cujo acesso é bastante limitado nos países em desenvolvimento.



Benefícios do leite materno



Há muito que se sabe que o leite materno possui qualidades protetoras capazes de inibir a transmissão mãe-filho do vírus da sida.



Sallie Permar, da Universidade Duke (EUA), e colegas investigadores, que estavam à procura de alternativas aos antirretrovirais contra a sida, expuseram, in vitro, o leite de mulheres seronegativas a uma série de estirpes do VIH e constataram que o efeito protetor estava relacionado com uma proteína de grande tamanho. Depois de um processo de sucessivas separações das proteínas do leite, identificaram a responsável: a TNC, que neutraliza o VIH ligando-se ao invólucro viral.



“É uma proteína que desempenha um papel na reparação dos tecidos”, explica Permar, num comunidado da universidade.



“A descoberta do efeito inibidor do VIH desta proteína do leite materno fornece uma possível explicação para o facto de os lactantes nascidos de mães seropositivas não serem infetados mais frequentemente”, acrescenta Barton Haynes, diretor do Instituto de Vacinas Humanas da mesma universidade.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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