Dengue poderá tornar-se numa pandemia, alerta Organização Mundial de Saúde

O dengue foi a doença viral que mais rápido se espalhou no mundo em 2012
16 de janeiro de 2013 - 12h03 
O dengue é a única Doença Tropical Negligenciada que se expandiu na última década. A sua incidência aumentou 30 vezes nos últimos 50 anos podendo tornar-se numa epidemia global, adverte o relatório da Organização Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado esta quarta-feira.
O dengue já é considerada uma doença endémica em, pelo menos, 100 países. A América Latina é a região mais afetada, mas Portugal também está na lista.
A doença viral afetava cerca de 10 países em 1950, mas hoje atinge mais de 150, reitera a OMS, que recorda que a prevalência do dengue ultrapassou a da malária.
Transmitido pela picada de mosquitos fémea, o dengue está a espalhar-se sobretudo devido ao aumento das trocas comerciais, circulação de pessoas e alterações climáticas que aumentaram o número de inundações, indica a organização.
Portugal na lista 
Em 2012, a Europa sofreu o primeiro surto de dengue em 90 anos, com mais de 2.000 casos diagnosticados na ilha da Madeira.
No mundo inteiro, todos os anos são reportados mais de 2 milhões de casos de dengue, especialmente na Ásia, África e América Latina. A doença provoca cerca de 22 mil mortes anuais, garante Raman Velayudhan, especialista da OMS para as Doenças Tropicais Negligenciadas.
“A OMS estima que em média ocorram cerca de 50 milhões de casos todos os anos”, adiantou a mesma fonte, que acrescentou que há estudos independentes que falam em 100 milhões. A versão mais grave da doença – dengue hemorrágico – atinge 500 mil pessoas todos os anos. 
Do grupo das 17 Doenças Tropicais Negligenciadas, a dengue é a única que representa uma “ameaça global”, frisa o mesmo relatório.
O mosquito - Aedes Aegypti, na Ásia, e Aedes Albopictus, no resto do mundo - transmite o vírus através da picada, porque precisa de uma proteína do sangue para reproduzir-se. Ao contrário do animal que transmite a malária, que ataca durante a noite, o mosquito do dengue atua durante o dia e habita zonas urbanas.
À falta de uma vacina eficaz contra o vírus - a mais avançada no mercado tem apenas 30 por cento de eficácia – e de um tratamento para a cura da doença, a única arma é a prevenção. A OMS recomenta especial cuidado com zonas de água estagnada, que são os locais prediletos dos mosquitos fémea para largar as larvas.
O recente relatório da OMS aconselha a adoção de uma estratégia multidisciplinar que aposta em quatro áreas: diagnóstico e tratamento, vigilância integrada e resposta aos surtos, implementação de vacinação e incentivo à investigação científica. A ser aplicado em todos os países, a agência das Nações Unidas acredita que em 2020 a incidência da dengue estará reduzida em 25% e a mortalidade em 50%.
SAPO Saúde

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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