Deco refuta afirmações da ASAE e reitera que utilização de sulfitos na carne picada é ilegal

A Deco reiterou esta quarta-feira que a utilização de sulfitos na carne picada é “proibida por lei”, numa reação ao esclarecimento da ASAE de que estes conservantes podem ser utilizados nos preparados de carne, como hambúrgueres e almôndegas.

A associação de defesa do consumidor (Deco) divulgou, na terça-feira, um estudo que analisou amostras de carne picada vendida em 26 talhos de rua, de mercados e de hipermercados, tendo chumbado todos na conservação, higiene e temperatura de venda da carne de vaca picada a granel, com 23 a adicionarem ao preparado sulfitos, aditivos proibidos por lei.

Em reação às conclusões do estudo, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) afirmou, relativamente às questões de irregularidades ao nível dos limites de sulfitos detetados, que se “trata de aditivos alimentares aprovados como conservantes que podem ser utilizados em variadíssimos géneros alimentícios, como por exemplo, nos preparados de carne (almondegas, hambúrgueres, etc)”.

“No caso em apreço, importa confirmar se as amostras colhidas pela Deco e analisadas foram efetivamente amostras de carne picada (…) ou se foram colhidas amostras de preparados de carne, mas que estaria à venda sob a denominação de carne picada”, sublinhou a ASAE num comunicado enviado à Lusa.

Para a Deco, a ASAE “lançou uma injustificável confusão sobre o objeto” do estudo, que foi apenas a carne picada à venda nos talhos que visitou.

“Nunca, em nenhuma das nossas comunicações, referimos preparados de carne picada”, adianta a associação numa nota enviada hoje à Lusa, observando que o estudo refere que “há que distinguir entre carne picada e preparados de carne picada, que não integraram a nossa investigação, aos quais se adicionam vários ingredientes”.

A Deco frisou que mantém o que afirmou: “a utilização deste conservante é proibida por lei na carne picada”, considerando que, neste ponto, a ASAE “não contribuiu para o esclarecimento dos consumidores”.

A ASAE considerou também que as metodologias implementadas nas amostras recolhidas pela Deco "carecem de informação clara e científica, informação relativamente ao método de colheita de amostras utilizado, método de ensaio analítico (se está ou não acreditado)" e que a amostragem realizada (0,4% do total de estabelecimentos de comércio a retalho de carne “é claramente insuficiente, tendo em consideração o universo em causa".

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