Declínio das horas de sono prejudica a memória

Estudo norte-americano
28 de janeiro de 2013 - 14h44

As mudanças estruturais do cérebro, que acontecem ao longo da vida, interferem na qualidade do sono e prejudicam a capacidade de guardar novas informações a longo prazo. Esta é a conclusão de uma investigação, a primeira a estabelecer uma relação entre mudanças no cérebro, sono e memória.


Estudos anteriores já tinham demonstrado que o córtex pré-frontal, região do cérebro atrás da testa, tende a perder volume com a idade e que parte dessa região ajuda a manter a qualidade do sono, crucial para consolidar novas memórias.



A investigação publicada na revista Nature Neuroscience é a primeira a associar as mudanças estruturais com os problemas de memória relacionados com o sono e os resultados sugerem que uma forma de retardar o declínio da memória em adultos mais velhos é aumentar as horas de repouso.



Ken Paller, professor de psicologia e diretor do programa de neurociência cognitiva na Universidade Northwestern, garante que ocorrem uma série de mudanças no cérebro durante o envelhecimento e que o sono é um dos fatores que afeta as funções da memória, escreve a Folha de São Paulo.



No estudo, participaram 19 reformados e 18 jovens com cerca de 20 anos. A equipa observou que o córtex pré-frontal medial, atrás do meio da testa, era, em média, um terço mais pequeno nos mais velhos do que nos mais novos - uma diferença atribuída à atrofia natural do envelhecimento.



Antes da hora de dormir, a equipa pediu aos dois grupos para estudarem uma longa lista de palavras associadas a sílabas sem nexo, como "ação-siblis" ou "braço-reconver". A equipa usou essas "não palavras" porque um tipo de memória que declina com a idade é a que grava informações nunca antes vistas.



Depois de treinarem essas informações durante 30 minutos, os voluntários fizeram um teste e os jovens superaram os mais velhos com uma margem de 25%. Depois, foram todos dormir. Os mais velhos dormiram só um quarto do tempo de sono de alta qualidade em relação aos mais jovens, conforme as medições do eletroencefalograma.



Num segundo teste, realizado de manhã, o grupo jovem superou o mais velho em 55%.



"A análise mostra que as diferenças se deram não por mudanças na capacidade das memórias, mas na diferença da qualidade do sono", disse Bryce Mander, da Universidade da Califórnia, e líder do estudo que contou com investigadores de outras instituições norte-americanas.



SAPO Saúde

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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