Decisões centralizadas nas Finanças dificultam gestão do IPO Lisboa

Dificuldades orçamentais do IPO de Lisboa representaram resultados negativos acima do esperado
12 de maio de 2014 - 09h40



O administrador do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa considera que a centralização das decisões no Ministério das Finanças dificulta a gestão porque atrasa procedimentos simples como a substituição de funcionários em licença de maternidade.



Em entrevista à agência Lusa, Francisco Ramos afirmou que “tudo o que é relevante – recursos humanos e dinheiro - carece de uma decisão casuística por parte do Ministério das Finanças”.



“É uma situação que não se poderá arrastar muito mais. É preciso mudar ou o modelo de controlo de ajustamento orçamental ou, pelo menos, geri-lo de uma forma diferente”, defendeu.



Francisco Ramos, recentemente nomeado administrador do Grupo Hospitalar Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – que reúne os IPO de Lisboa, Porto e Coimbra –, critica a lentidão das decisões das Finanças, com algumas delas, sobre recursos humanos, a demorarem mais de um ano.



Esta centralização de decisões no ministério de Maria Luís Albuquerque traduz-se numa “quase completa ausência de autonomia” das instituições, que não conseguem resolver “em tempo útil” uma coisa “tão simples como a substituição de um profissional em licença de maternidade”.



Para Francisco Ramos, este estado das coisas “ameaça a empresarialização dos hospitais”, medida tomada quando se encontrava no governo de António Correia de Campos.



“O que se pretendeu com o processo de transformar estes hospitais em empresas públicas, independentemente das questões de afetar o défice público, ou não, era, no fundo, reconhecer o carácter complexo e de multisserviço que um hospital tem, que exige responsabilidade, flexibilidade, métodos de gestão típicos de empresas”, adiantou.



Francisco Ramos considera que “a grande vantagem da empresarialização foi ter sido possível os últimos anos, com meios de gestão mais adequados, dar responsabilidade aos gestores e estabelecer objetivos. Os resultados foram bons e os níveis de eficiência melhoraram”.



“O principal risco que temos hoje em termos de gestão hospitalar é o regressar a um tempo em que os objetivos não são credíveis, que é o que acontece quando se pede a hospitais que já têm grande trabalho feito de diminuição de custos, reduções de cinco por cento, de um ano para o outro, na despesa em pessoal”, adiantou.

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