Dadores de rins aumentam, mas um terço não pode ser aproveitado

O número de rins colhidos em dadores cadáver para transplantação está a aumentar, mas cerca de 30% não são aproveitados, por não estarem em condições, uma consequência de a população estar cada vez mais doente e envelhecida.
créditos: AFP/ JAAFAR ASHTIYEH

Este dado foi revelado esta sexta-feira pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, durante a abertura do 17.º Dia Europeu da Doação de Órgãos, uma iniciativa promovida anualmente pelo Conselho da Europa e que este ano se realiza em Lisboa.

Apesar do número de transplantes de rins ter estabilizado nos últimos anos – entre janeiro e julho de 2015 foram transplantados 305 rins -, a doação é um problema que preocupa os responsáveis, não só por não existirem tantos dadores vivos como seria desejável, mas também porque os rins provenientes de dadores cadáveres não estão muitas vezes em condições.

A agravar este quadro está a realidade da doença em Portugal, país com a maior taxa de insuficiência renal crónica de toda a Europa, explicou o responsável, acrescentando que só a Grécia e a Turquia se aproximam de Portugal, mas ainda assim com menos casos.

“Colhemos, analisamos e não aproveitamos muitos rins. Apesar do aumento da colheita, não se consegue o aumento do transplante de rim na mesma proporção, porque os dadores estão mais velhos e mais doentes”, disse.

"A taxa de dador cadáver de rim, em 2014, foi de 27,8 por milhão de habitantes, o que deveria dar à volta de 55 rins, mas a taxa de transplantação foi de 37,6, porque grande parte não está em condições, 20% a 30% não se aproveitam", acrescentou Fernando Macário.

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