Dadores com fome impedidos de dar sangue por terem hemoglobinas baixas

Nos primeiros dois meses deste ano registou-se uma descida de 11 por cento dos dadores
27 de março de 2014 - 16h19



O presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue (FAS) denunciou hoje que “há gente com fome que quer mas não consegue dar sangue, porque tem as hemoglobinas em baixo, por não comer o que devia”.



O alerta foi dado por Joaquim Moreira Alves, durante a cerimónia que assinala o Dia Nacional do Dador de Sangue, que juntou dezenas de dadores no Parque da Saúde, em Lisboa.



Na sua intervenção, Joaquim Moreira Alves, presidente da FAS, revelou-se preocupado com as consequências da fome na saúde de alguns dadores que, ao serem confrontados durante o exame médico com os níveis baixos de hemoglobina, não podem doar sangue.



“Esta situação está a fazer baixar o número de dádivas”, disse.



O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), Helder Trindade, disse não ter conhecimento de casos de dadores com fome nas brigadas de recolha de sangue.



“É natural que a situação social que se vive, e não estou a falar de fome, faça parte das razões que levam os dadores a não fazer mais dádivas”, declarou.



Helder Trindade afirmou que o IPST tem vindo a observar uma hemoglobina baixa em dadores, sobretudo em mulheres, mas escusou-se a relacioná-la com a fome.



Confrontado com a denúncia do presidente da FAS, o secretário de Estado e Adjunto da Saúde disse não ter a certeza de que exista uma perda de dadores assim tão grande, devido a anemias carenciais.



“O importante é que as pessoas a quem é identificada esta situação sejam encaminhadas para os serviços médicos para que se descubram os problemas que causam a baixa hemoglobina”, disse Fernando Leal da Costa, que também participou na cerimónia do Dia Nacional do Dador de Sangue.



O presidente da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES), Alberto Mota, ressalvou que, apesar das “grandes dificuldades que muitos dadores atravessam, estes continuam a fazer as suas dádivas”. “Os dadores de sangue deviam ter mais direitos”, afirmou, defendendo medidas para os mais novos serem atraídos para a dádiva.



Este é, aliás, o tema da próxima campanha do IPST: “A primeira vez é sempre memorável”. Trata-se de um apelo às camadas mais jovens, através de mensagens que visam cativar estas faixas etárias para o importante que é dar sangue e como é inesquecível a primeira vez que um dador o faz.



“Impossível não querer repetir” é outra das mensagens que faz parte da campanha que em breve estará nas televisões, rádios, internet e imprensa escrita.



De acordo com o presidente do IPSS, nos primeiros dois meses deste ano registou-se uma descida de 11 por cento dos dadores, em relação ao período homólogo de 2013, e uma diminuição de nove por cento nas colheitas.



O secretário de Estado e Adjunto da Saúde anunciou ainda que, dentro de uma ou duas semanas, estará pronto o seguro para os dadores de sangue, uma reclamação dos dadores com mais de vinte anos. Este seguro pretende garantir ao dador de sangue, ou candidato a dador, o direito a ser indemnizado pelos danos resultantes da dádiva de sangue ou de acidentes que eventualmente sofram no trajeto de ida e regresso para o local de colheita.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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