Cuidados paliativos devem ser aplicados em fase mais precoce da doença

O Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPAL) recomendou hoje a introdução dos cuidados paliativos numa fase mais precoce da doença, advertindo que cerca de 18.000 doentes oncológicos poderão necessitar anualmente destes cuidados.
créditos: LUSA

“Os cuidados paliativos introduzidos numa fase mais precoce da doença, a par dos tratamentos dirigidos à cura, melhoram a qualidade de vida e aumentam a sobrevida dos doentes”, refere o núcleo de estudos num comunicado que assinala o Dia Mundial do Cancro (04 de fevereiro).

“Habitualmente ligam-se estes cuidados só quando os doentes estão a morrer e nessa altura ajudamos, mas muito pouco. Temos de começar mais cedo para ajudarmos muito mais”, disse à agência Lusa a coordenadora do núcleo de estudos, Elga Freire.

A especialista em Medicina Interna reconhece que em Portugal ainda falta cobrir grande parte das necessidades de cuidados paliativos, seja internamento ou domicílio.

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos calcula que cerca de 90 por cento dos portugueses que precisam de cuidados paliativos não os recebe, uma situação que Elga Freire atribui ao facto de não haver respostas adequadas.

“Nós estamos a tentar e todos os dias temos melhorado, agora é verdade que as necessidades são imensas e que o nosso país se atrasou muito”, disse à Lusa

Para a médica, a resposta deve passar pela mudança dos cuidados prestados aos doentes crónicos e terminais, o que implica a formação e treino em cuidados paliativos de todos os profissionais de saúde que tratam estes doentes e a criação de estruturas em número suficiente para poder responder às reais necessidades da população.

“É urgente haver um maior empenho das políticas de saúde e sociais para que se implementem as várias estruturas já definidas, nomeadamente os cuidados paliativos domiciliários”, defendeu.

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