Crise obriga idosos portugueses a recorrerem aos Médicos do Mundo

Entre os mais afetados estão pessoas com doenças crónicas
13 de maio de 2014 - 13h24



Portugueses com mais de 65 anos recorrerm cada vez mais às consultas gratuitas dos Médicos do Mundo por não terem condições financeiras de utilizar o Serviço Nacional de Saúde, disse à Lusa uma responsável da organização.



Carla Paiva, diretora geral da ONG em Portugal, explicou à Lusa que isso é especialmente evidente, no caso português, entre os maiores de 65 anos, sendo que a maioria dos que vão às consultas são cidadãos nacionais.



"Ao contrário de Espanha, que se debate com a crise desde 2010, nós vivemos esta crise desde 2008. São quase seis anos a viver com a crise do serviço de saúde, especialmente para os imigrantes e para as pessoas com mais carências económicas", disse.



Entre as situações mais complicadas destaca-se a situação das famílias que "antes tinham uma situação financeira tranquila, que perderam os seus empregos e começam a ter problemas de acesso aos cuidados de saúde, especialmente os acessos básicos".



"A situação é ainda pior quando têm crianças. Temos cada vez mais pedidos de casais que até agora tinham condições para aceder ao sistema nacional de saúde, pagar as suas taxas moderadoras", disse.



"E ainda as pessoas acima dos 65 anos. Temos cada vez mais pedidos vindo de idosos com baixas reformas que não têm como pagar a sua medicação. O apoio medicamentoso é uma das nossas vertentes em crescimento", frisou.



Entre os problemas detetados, Carla Paiva destaca a falta de informação, a barreira administrativa e até as dificuldades com a língua de "pessoas que apesar de estarem há muitos anos em Portugal não conhecem o sistema, ou as condições para terem, por exemplo, isenção das taxas moderadoras".



Uma situação idêntica à que se vive noutros países do sul da Europa.



"Temos verificado, nos últimos anos, um aumento significativo de pessoas que não são imigrantes ou irregulares a aproximarem-se dos Médicos do Mundo", disse hoje em Madrid o responsável da organização em Espanha, Álvaro González.

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