Crise está a trazer para a rua antigas prostitutas e a aumentar comportamentos de risco

Uma das doenças em risco de crescimento é o VIH
25 de março de 2013 - 09h41



A crise está a trazer de regresso à rua antigas prostitutas, por necessidade de sobrevivência, e mais comportamentos de risco para o VIH, revela um estudo que será hoje apresentado em Lisboa.



Esta é uma das conclusões que constam do Programa PREVIH sobre a incidência da Infeção por VIH/SIDA em grupos de difícil acesso, cujo balanço dos primeiros quatro anos vai ser feito durante uma conferência internacional sobre VIH.



Iniciado em 2010, este é o primeiro estudo com mais de mil pessoas de cada grupo de difícil acesso: homens que têm relações sexuais com homens e trabalhadores do sexo de todos os tipos, explicou à Lusa Luís Mendão, presidente do Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), que organiza a conferência.



“Um dado importante é que, de 2010 para 2012, nota-se os primeiros indícios da crise: muitas mulheres que voltaram a fazer trabalho sexual por necessidade de sobrevivência, uma maior permeabilidade para baixar a guarda na exigência com clientes, diminuição dos preços dos serviços e tememos que com a crise aumentem as situações de risco e as pessoas na área do trabalho sexual”, afirmou o responsável.



Segundo Luís Mendão, o trabalho de campo encontrou também “muitas pessoas muito jovens a fazer trabalho sexual pela primeira vez” e, embora não haja um levantamento de quantas pessoas fazem trabalho deste, “um dos indicadores é que há pessoas a voltar ou a começar nestes últimos dois anos”, o que permite concluir que “pode estar a aumentar como forma de sobrevivência”.



“No segundo inquérito, de 2012, encontramos pessoas com rendimentos muito baixos em situação de quase marginalidade, o que indica que correm mais riscos do que correriam habitualmente. Encontramos os primeiros sinais de diminuição de prevenção e de comportamentos seguros, vai ser mais fácil aceitar propostas de clientes para sexo não seguro”, alertou.



O projeto de quatro anos foi financiado pelo Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de combate ao VIH/Sida, e conta com a colaboração do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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