Crise está a afastar Portugal dos lugares cimeiros da investigação

Responsável frise que um dos grandes desafios da investigação no futuro são as alterações climáticas
6 de novembro de 2013 - 17h12



A presidente da Associação Europeia de Universidades afirmou hoje que a crise económica está "a afastar" Portugal dos lugares cimeiros da investigação, e alertou para a necessidade de as universidades se organizarem em "estratégias regionais", para acederem aos fundos comunitários.



Em Braga, na Universidade do Minho, para um colóquio, Maria Helena Nazaré, presidente da Associação Europeia de Universidades (AEU), lamentou a "enorme exportação de talentos", a que a crise está a "obrigar", mas salientou que essa exportação pode ser "positiva", desde que o país "crie condições" para o regresso dessas pessoas.



Segundo a responsável, os "grandes desafios" da investigação no próximo século estão relacionados com questões climatéricas e demográficas.



"A grande tendência da investigação europeia é uma concentração de recursos em alguns pontos da Europa e, infelizmente, não me parece que Portugal venha a ser um deles, uma vez que se tem vindo a afastar", referiu a responsável da AEU, antiga reitora da Universidade de Aveiro.



Isto porque, explanou, "teríamos de ter alguma organização, talvez diferente, já que em termos de qualidade dos cientistas portugueses podíamos estar num lugar charneira da investigação".



Maria Helena Nazaré disse que a crise no sul da Europa está a "prejudicar" a investigação, mas, como salientou, "o Horizonte 20/20 de fundos comunitários é uma esperança" em termos de financiamento.



"É um dos programas europeus que tem mais verbas a nível de apoio à investigação. Se as universidades se organizarem com as estratégias regionais podem ir buscar bastante dinheiro a esses fundos", alertou.



"Portugal, aliás - disse - está bem organizado para o fazer".



Ainda sobre os efeitos da crise na investigação em Portugal, a responsável apontou a saída de investigadores como um dos maiores problemas, embora "nem tudo seja negativo" nesta nova vaga de emigração.



"Acabamos por exportar os talentos que podiam cá trabalhar, que nos custaram muito dinheiro e que pagamos todos para os formar. Mas se nós conseguirmos montar as condições para fazer essas pessoas voltar, essas pessoas voltam enriquecidas com uma experiência lá fora, e isso é realmente bom", salientou.



Sobre as áreas que mais despertam interesse na investigação, Maria Nazaré enumerou duas áreas como "os grandes desafios do próximo século" na investigação.



"O maior foco de investigação vai para áreas relacionadas com alterações climáticas e alterações demográficas", afirmou.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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