Crise aumenta procura das urgências de psiquiatria no hospital de Portalegre

Atualmente, este Hospital tem 11 doentes em regime de internamento na unidade psiquiátrica
14 de outubro de 2013 - 13h01



A crise tem provocado um aumento da procura de ajuda nos serviços de urgência de psiquiatria e saúde mental do hospital e Portalegre, departamento que já apresenta a lotação esgotada, revelou hoje um responsável.



“Metade dos casos dos doentes que nos procuram no atendimento de urgência obedecem a esse padrão, de exacerbar a crise num psiquismo já frágil, em função de défices económicos e sociais”, justificou o psiquiatra Érico Alves, em declarações à agência Lusa.



“Estamos a falar de pessoas de todas as idades e nas faixas etárias onde o desemprego, eventualmente, seja maior os quadros de ansiedade estão mais exacerbados”, acrescentou.



De acordo com o clínico, os pacientes quando procuram ajuda “confrontam-se já frágeis” num “psiquismo débil”, pela necessidade de “pagar as prestações da compra de casa, do carro ou da escola dos filhos”.



“Enquanto alguns países europeus reforçaram mecanismos de apoio social para acudir às pessoas em dificuldades, algumas dificuldades sócio económicas acrescidas não nos permitiram [Portugal] fornecer apoios deste tipo a nível mais substancial e complicaram o problema”, afirmou.



O departamento de psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), com sede no hospital de Portalegre, tem 11 doentes em regime de internamento.



“Nós procuramos rentabilizar o número de eleitos em função das necessidades da população: Atualmente estamos com a lotação esgotada, com sete pacientes do sexo feminino e quatro do sexo masculino”, disse.



De acordo com Érico Alves, os quadros onde se tem registado um aumento de doentes estão relacionados com a depressão e a ansiedade.



“Nós temos feito uma tentativa de esforço para corresponder à procura de ajuda por parte das pessoas. Este aumento ocorreu desde que a crise socioeconómica se agravou, há uns anos a esta parte”, declarou.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários