Crianças são grupo de risco nas lesões oculares provocadas pelas radiações UV

Exposição prolongada aos raios UV-A e UV-B pode causar lesões nos olhos
18 de junho de 2013 - 16h22



As crianças, pela maior transparência das estruturas oculares, e as pessoas que trabalham ao ar livre, pela dose acumulada de radiações UV são grupos de risco no desenvolvimento de lesões oculares provocadas pela luz solar. Com a aproximação do Verão e do aumento dos índices de radiação UV, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para a importância de proteger adequadamente os olhos da luz do sol.



“Ninguém está totalmente imune às lesões oculares causadas pelas radiações UV. Há, no entanto, grupos mais vulneráveis, denominados de risco, que apresentam uma maior probabilidade de apresentarem ao longo da sua vida estas lesões induzidas pelas radiações UV, como as crianças e as pessoas que trabalham no exterior”, afirma Vítor Leal, coordenador do grupo de Ergoftalmologia da SPO.



“O principal perigo é a radiação ultravioleta (UV), raios invisíveis da energia solar que também são produzidos por fontes artificiais como a soldadura elétrica, os solários e o laser. Mais de 99% da radiação UV que atinge os nossos olhos, é absorvida pelas estruturas anteriores que formam os nossos olhos, no entanto parte dessa radiação atinge o segmento posterior do olho podendo danificar a retina. A exposição prolongada aos raios UV-A e UV-B pode causar lesões nos olhos colocando em risco a visão”, sublinha o especialista.



Ainda que não haja uma determinação exata da suscetibilidade do olho à radiação, doses elevadas produzem fotoconjuntivite (inflamação da conjuntiva) e fotoqueratite (inflamação da córnea). As exposições prolongadas, mesmo a baixas intensidades estão relacionadas com patologias mais graves como cataratas, pterígio, carcinomas e/ou degenerescência macular da retina.



Para proteger a saúde ocular, Vítor Leal recomenda “evitar a exposição solar, principalmente quando o tamanho da nossa sombra é menor do que o nosso tamanho real (entre as 11h00 e as 16h00). É também aconselhável o uso de chapéu e óculos escuros de boa qualidade, que ofereçam proteção adequada aos seus olhos, não apenas durante o verão, mas sim durante todo o ano”.



As lentes adequadas deverão eliminar entre 99 e 100% da radiação UVA e UVB e entre 75 e 90% da radiação visível para evitar o desconforto ocular e as reflexões excessivas, estar livres de imperfeições, não distorcer imagens ou mudar as cores e serem de cor cinzenta, verde ou castanha.



O oftalmologista alerta ainda para o facto de “os óculos escuros sem proteção UV poderem, na verdade, prejudicar a saúde dos olhos, pois ao provocarem dilatação pupilar levam a uma maior absorção ocular dos raios UV”.



Paulo Torres, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, refere que “este alerta desperta a população, já conhecedora dos riscos da exposição solar prolongada na pele, para o facto de que a luz solar pode estar na origem de doenças graves a nível ocular, sendo estas passíveis de serem prevenidas e evitadas com proteção ocular adequada”.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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