Cortes podem deixar "milhares de crianças" com deficiência sem apoio

95% dos pedidos de ajuda dos pais na sequência da retirada do apoio foram recusados

18 de março de 2014 - 14h11



O presidente da Associação Nacional de Empresas de Apoio Especializado (ANEAE) pediu hoje ao Governo para “reconhecer o erro” dos cortes no Subsídio de Educação Especial, que podem deixar “milhares de crianças” com deficiência sem apoio para terapias.



“Neste momento, foram feitos cerca de 13 mil requerimentos no país. Estão a ser devolvidos 95% dos processos. Centenas de crianças já não têm apoios. Vão ser milhares, se o Governo não inverter este processo. Lamenta-se que ache que isto é uma poupança e não um investimento. Estas crianças, daqui a uns anos, poderão ter um custo superior para o país”, frisou o presidente da ANEAE, Bruno Carvalho, em declarações aos jornalistas.



A ANEAE e a Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades de Apoio Especializado (APACJNAE) organizaram esta manhã, em frente ao Instituto de Segurança Social do Porto, um protesto que juntou mais de 3.000 pessoas de todo o país contra um protocolo de outubro que “alterou as regras de atribuição do Subsídio de Educação Especial (SEE)”.



“Pelo menos que esta manifestação seja uma boleia para os políticos terem a coragem de reconhecer o erro, o corrigirem e minimizarem o estrago. Há crianças que, tendo ficado sem apoios, viram planos terapêuticos que estavam a ser desenvolvidos há meses e anos voltar à estaca zero. Pelo menos para que fique a esperança para estas crianças”, afirmou Bruno Carvalho.



O responsável explicou estar em causa o protocolo assinado entre o Conselho Diretivo da Segurança Social e a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares a 22 de outubro, que “está a marginalizar” as crianças com necessidades especiais.



Isto porque, explicou, lhes está a retirar apoios nas áreas “da psicologia clínica, terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia, fisiatria, neurologia ou pedopsiquiatria”.



“Pretendemos que os nossos filhos não fiquem sem terapias. Sem estes apoios, os pais não conseguem pagá-las. Há muitas crianças que estão a precisar de terapias e estão encostadas porque os pais não conseguem”, descreveu Helena Ferreira, vice-presidente da APACJNAE.

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