Corais produzem substância protetora do calor que influencia clima

Corais aumentam a produção da substância quando temperatura do oceano aumenta

24 de outubro de 2013 - 14h33

Os corais produzem uma substância química que os protege do aumento da temperatura dos oceanos e desempenha um papel crucial na regulação do clima local, revela um estudo publicado hoje na revista Nature.

Uma equipa de cientistas do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS, na sigla em inglês) descobriu que os corais produzem uma molécula à base de enxofre, o dimetilsulfoniopropionato (DMSP), substância responsável pelo odor característico do mar, que até agora se pensava existir apenas nas algas.

"Anteriormente pensava-se que as grandes concentrações de DMSP que emanavam dos recifes de corais eram provenientes das algas simbióticas", disse o responsável pela investigação, Jean-Baptiste Raina, do AIMS e da Universidade James Cook.

A investigação concluiu que os corais aumentam a produção desta substância quando a temperatura do oceano aumenta.

A substância e os seus derivados funcionam como antioxidantes e protegem os tecidos dos corais do stress ambiental causado pelas altas radiações solares.

As moléculas à base de enxofre também servem como núcleos para a formação de gotículas de água na atmosfera, ajudando a criar nuvens.

Com a redução do número de corais, os cientistas advertem que pode registar-se uma grande diminuição na produção de DMSP, o que por sua vez, terá consequências na formação das nuvens.

"A produção de nuvens, especialmente nos trópicos, é um importante regulador do clima - porque as nuvens refletem muito do calor do sol para o espaço. Se forem produzidas menos nuvens, menos calor será refletido, o que levará ao aumento das temperaturas na superfície do mar", explicou Jean-Baptiste Raina.

A Grande Barreira de Coral da Austrália, que concentra 400 tipos diferentes de coral, 1.500 espécies de peixes e 4.00 variedades de moluscos, começou a deteriorar-se na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar e pelo aumento da sua acidez devido a uma maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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