Contaminação dos alimentos na origem de intoxicação em Castanheira de Pera

Um grupo de 52 crianças e os seus três monitores sofreram a 11 de julho uma intoxicação alimentar
25 de julho de 2014 - 12h33



A contaminação dos alimentos esteve na origem da intoxicação que atingiu 52 crianças e três monitores no dia 11 deste mês em Castanheira de Pera, revelou hoje o Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Centro.



Numa informação enviada à agência Lusa, o Departamento de Saúde Pública esclarece que a investigação “permitiu concluir que as gastroenterites se deveram à contaminação dos alimentos consumidos no piquenique pela toxina estafilocócica, que é produzida pela bactéria ‘S. aureus’, microrganismo bem conhecido pelos médicos e uma das causas mais frequentes de toxinfeções alimentares”, referindo que “os seus sintomas incluem vómitos e diarreia”.



A investigação epidemiológica na sequência da toxinfeção alimentar coletiva foi desencadeada pelo Departamento de Saúde Pública e a Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte, em colaboração com o Departamento de Pediatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.



Segundo aquele departamento da Administração Regional de Saúde do Centro, “como aconteceu neste caso, a doença é de evolução benigna, uma vez que não necessita de tratamento especial, e cura em um ou dois dias com cuidados médicos constituídos basicamente pela reidratação para compensar os líquidos perdidos”.



Um grupo de 52 crianças e os seus três monitores sofreram a 11 de julho uma intoxicação alimentar em Castanheira de Pera quando se encontravam na praia das Rocas.



As crianças estavam integradas nas atividades de férias do município de Penedono, no distrito de Viseu, no programa “Férias Animadas”.



O presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) afastaram qualquer responsabilidade do complexo da praia das Rocas no acontecimento.



Ainda nesse dia, o delegado de Saúde Regional do Centro afirmou que a investigação efetuada à intoxicação permitia “suspeitar dos alimentos ingeridos ao almoço”.



O responsável indicou os alimentos do almoço como “veículo da doença” e refere que os “sintomas e tempos de incubação apontam para toxinfeção alimentar coletiva por toxina estafilocócica”.



O presidente da autarquia de Penedono, Carlos Esteves, adiantou que a comida que as crianças consumiram foi confecionada na cantina municipal, na manhã desse dia pela habitual funcionária e informou que iria abrir um inquérito para apurar responsabilidades.



“O 'S. aureus' existe disseminado na natureza em associação pacífica com animais e seres humanos saudáveis, provocando doença apenas quando, por qualquer motivo, o equilíbrio natural é quebrado”, informa o Departamento de Saúde Pública.



Esta entidade recomenda, em especial no período de verão, em que as altas temperaturas propiciam a multiplicação microbiana, “a escolha de especialidades culinárias mais adequadas a este tipo de eventos (piqueniques), sendo de evitar os alimentos que implicam muitos procedimentos na sua confeção, a sua preparação com muita antecedência ou muita manipulação após a sua confeção”.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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