Consumo de tabaco e álcool continuam a ser os principais fatores de risco do cancro da cabeça e pescoço

Todos os anos surgem cerca de 3.000 novos casos em Portugal
22 de setembro de 2014 - 15h31



O Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço promove, na quarta-feira em Lisboa, um “dia aberto” à população, em que serão realizados por médicos especialistas diagnósticos precoces ao cancro da cabeça e pescoço.



A iniciativa decorre no âmbito da Segunda Semana Europeia para o Cancro da Cabeça e do Pescoço, que decorre entre hoje e sexta-feira e visa alertar a população para os sintomas desta doença, disse à agência Lusa Ana Castro, da direção do grupo de estudos.



Todos os anos surgem, em Portugal, entre 2.500 a 3.000 novos casos de cancro de cabeça e pescoço, uma doença que afeta maioritariamente pessoas a partir dos 40 anos, mas que tem vindo a atingir os mais jovens.



O consumo excessivo de tabaco e álcool são os principais fatores de risco para o aparecimento desta doença.



Ana Castro contou que continuam a aparecer “muitos doentes com diagnósticos muito avançados” desta doença, que muitos desconhecem.



“É um tipo de patologia que habitualmente não se fala. Falamos do cancro da mama, do cancro do cólon, mas muitas pessoas nem sequer sabem do que estamos a falar quando mencionamos o cancro da cabeça e pescoço”, adiantou a especialista.



Para Ana Castro, é importante alertar as pessoas para os sinais precoces que possam aparecer e orientá-las para procurarem um médico.



Nesse sentido, o grupo de estudos convida as pessoas com fatores de risco, como fumadores e alcoólicos, ou que apresentem sintomas da doença a participarem no “dia aberto”, que decorre a partir das 11:00 no jardim do Campo Grande, em Lisboa.



Feridas na boca que não cicatrizem, alterações da voz, língua dorida ou com úlceras, rouquidão persistente, nariz entupido, hemorragias nasais, dificuldade ao engolir e caroços no pescoço são alguns sintomas desta patologia.



Além do “dia aberto”, o grupo de estudos promove durante esta semana várias ações, como a colocação de cartazes nos centros de saúde e hospitais, uma campanha de rua, com a distribuição de informação sobre a doença, sessões de esclarecimento nas escolas primárias e secundárias e a realização de um vídeo sobre a doença destinado às crianças.



Apesar de fazer um balanço positivo das últimas campanhas, Ana Castro disse que as pessoas que participam não são as que têm mais fatores de risco ou sintomas da doença.



“Nos outros anos conseguimos detetar algumas lesões iniciais nestes dias abertos realizados nos hospitais” e, por isso, o “saldo é claramente positivo, mas achamos que podemos prestar um serviço diferente à comunidade se formos ao encontro das pessoas”, explicou.



Por esta razão, o grupo de estudos resolveu este ano “sair dos hospitais e ir para a rua”.



“É uma forma diferente de abordar” a população e “iremos avaliar no final desta semana se o caminho será fazer o dia aberto na rua ou no hospital”.



A campanha decorre em simultâneo em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Polónia, Turquia, Dinamarca, Finlândia e Holanda.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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