Consumo de antibióticos em ambulatório reduziu entre 2007 e 2010

Redução poderá estar relacionada com campanhas e ações educativas

De acordo com a análise do CEFAR (Centro de Estudos e Avaliação em Saúde) da Associação Nacional das Farmácias realizada para o Dia Mundial da Saúde (este ano dedicado aos Antibióticos), o consumo de antibióticos em DDD (Dose Diária Definida) por 1.000 habitantes / dia em ambulatório em Portugal apresenta uma tendência de redução para -1,5 por cento), entre 2007 e 2010, tendo descido para 22,73 DDD / 1.000 hab. /dia em 2010.

Embora essa redução não se verifique no grupo terapêutico das Penicilinas (de maior consumo), a redução global é conseguida em particular nos grupos terapêuticos que incluem os Macrólidos, Cefalosporinas e Tetraciclinas, ie, grupos terapêuticos que não constituem a primeira linha de terapêutica para as infecções bacterianas mais comuns em ambulatório, reflectindo assim uma tendência na utilização mais racional dos antibióticos.

O problema das resistências e a sensibilização da população para o uso racional dos antibióticos

Inúmeros Estudos Epidemiológicos têm demonstrado que a utilização inadequada dos antibióticos aumenta o risco de resistências bacterianas, com impacte não apenas nas complicações e mortalidade mas também no incremento dos encargos para o SNS e nos outros custos associados à prestação de cuidados de saúde, pelo que a implementação de estratégias multidisciplinares para o uso adequado e racional dos antibióticos é crucial para minorar o grave problema de saúde pública resultante do aumento das resistências bacterianas. Esta situação suscita particular preocupação porque a disponibilização de novos antibióticos não acompanha o ritmo de escalada das novas resistências emergentes.

A tendência de redução do consumo em Portugal pode estar relacionada com campanhas e acções educativas desenvolvidas no nosso País nos últimos anos, quer pelas entidades em saúde, quer pelas próprias Farmácias, com vista a sensibilizar os profissionais de saúde e utentes das Farmácias, para uma utilização mais racional dos antibióticos que constituem um poderoso arsenal terapêutico mas que deve ser reservado para situações clínicas de infecção bacteriana, por forma a minimizar os riscos crescentes de resistências bacterianas.

No mesmo período de tempo, a Escola de Pós-Graduação em Saúde e Gestão da ANF promoveu mais de 35 cursos de formação na área dos Antibióticos para cerca de 700 participantes, na sua maioria farmacêuticos das Farmácias suas filiadas.

No âmbito da informação dirigida aos utentes sobre o uso adequado dos antibióticos, destaca-se a publicação de artigos na Revista Farmácia Saúde, distribuída gratuitamente nas Farmácias e líder de audiências no seu segmento ao longo dos anos:

“Antibióticos nem sempre o melhor remédio” (Jan/2005)
“Antibióticos? Só com receita médica” (Mar/2005)
“Bactérias boas?” (Set/2007)
“O uso indevido de antibióticos nas doenças das crianças” (Mar/2008)

Os folhetos iSaúde são outro exemplo do contributo para a utilização racional dos antibióticos. A informação em linguagem acessível poderá ser solicitada em qualquer Farmácia.

08 de abril de 2011

Fonte: Esac Yearbook 2008

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