Consumir pouco açúcar pode estragar um casamento

Estudo prova que níveis de glicose no sangue têm grande influência na gestão da agressividade
15 de abril de 2014 - 10h21



Níveis baixos de açúcar no sangue fazem com que, num casamento, cada cônjuge sinta mais raiva um do outro, e também aumentam o risco de agressividade, revela um estudo publicado esta segunda-feira nos Estados Unidos.



A investigação demonstra como o simples facto de ter fome, resultado de baixos níveis de glicose, pode ser um fator de tensão entre os casais, provocando discussões e até mesmo violência, explicou Brad Bushman, psicólogo da Universidade de Ohio e principal autor do trabalho publicado nas Atas da Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS).



O estudo foi feito durante 21 dias com 107 casais. Para medir a raiva, os cientistas deram a cada participante um boneco de vodu - que supostamente representava o cônjuge - e 51 alfinetes.



No fim do dia, cada um dos cônjuges deveria enfiar um certo número de alfinetes no boneco, segundo o grau de raiva que sentisse do companheiro. Ao mesmo tempo, cada cônjuge devia medir o nível de glicose no sangue antes do pequeno-almoco e antes de dormir.



Os resultados demonstraram que, quanto menor o nível de açúcar no sangue, maior era a quantidade de alfinetes espetados no boneco. O vínculo entre glicemia e raiva persistiu mesmo entre casais satisfeitos com sua união.



Ao final dos 21 dias, pediu-se aos casais que se submetessem a um segundo teste: apertar um botão com tanta força quanto possível quando um ponto vermelho aparecesse na tela de um computador.



O vencedor de cada casal teve a oportunidade de submeter o cônjuge a um barulho e decidir a duração e intensidade da exposição. Os resultados mostraram que aqueles com grau de glicose mais baixo preferiam ruídos mais fortes e duradouros.



Um terceiro teste demonstrou que aqueles que enfiaram mais agulhas foram os que submeteram os casais aos piores ruídos.



O estudo explica que a glicose é o principal combustível do cérebro, necessários para manter o autocontrolo.



"O cérebro representa 2% do nosso peso, mas consome 20% das calorias", afirmou Bushman.



SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários