Consultas sobre doenças sexualmente transmissíveis acabam por falta de verbas

O serviço de consulta de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLX, em Lisboa, gerido pelo Grupo Português de Ativistas sobre Tratamento de VIH/SIDA (GAT), foi encerrado depois de o Ministério da Saúde ter parado o financiamento, há oito meses. Os restantes serviços do centro, como os testes rápidos do VIH ou a distribuição de preservativos, continuam a funcionar.

O CheckpointLX é um centro dirigido a homens que têm sexo com outros homens, onde podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do GAT explicou que este serviço, existente desde há três anos, contava com um apoio financeiro anual de cerca de 34 mil euros por parte do Ministério da Saúde, através da Direção-geral de Saúde.

Esta verba, de acordo com a informação disponível no site do GAT, servia para pagar análises, reagentes e kits médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

“O GAT investia, dos apoios privados que recebe, um valor semelhante para completar a falta de financiamento, e muitos dos profissionais de saúde que asseguravam a consulta trabalhavam ‘pro bono’”, adiantou Luís Mendão.

Fundo financeiro sem alternativas

De acordo com o responsável, o apoio financeiro foi acordado em 2011 e tinha a duração de três anos, tendo terminado em dezembro de 2014, sem que o atual Governo tenha apontado uma alternativa ou razão para a sua cessação.

“Mantivemos a consulta com trabalho ‘pro bono’ e com o dinheiro que conseguimos manter, mas, no final do mês passado, depois de olharmos para as contas, decidimos que não podíamos continuar a assegurar o pagamento ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical e ao Instituto Português de Oncologia”, revelou.

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