Consórcio luso-chinês investiga bases genéticas do cancro do estômago

O projeto tem um orçamento inicial de mais de 900.000 dólares

2 de outubro de 2013 - 15h01

Um consórcio luso-chinês que integra o IPATIMUP e a empresa Coimbra Genomics está a desenvolver um projeto que visa estudar os genes que estão envolvidos no cancro do estômago, o segundo tumor que mata mais gente a nível mundial.

Este “continua a ser um problema gravíssimo, a mortalidade é quase igual ao número de casos novos que surgem por ano, quase toda a gente que desenvolve cancro do estômago tem muito mau prognóstico e, portanto, é uma doença que é preciso trabalhar”, afirmou a investigadora Carla Oliveira, responsável pelo projeto do lado do IPATIMUP.

“E esta é uma forma de a trabalhar, o que nos pretendemos é identificar fatores que permitam prever o prognóstico dos doentes mas, por outro lado, também é tentar encontrar alvos que possam ser depois utilizados para desenvolver terapias ou melhorar o regime terapêutico que estão atualmente a ser disponibilizados aos doentes”, sublinhou Carla Oliveira em declarações à Lusa.

O projeto de investigação é promovido pela empresa Coimbra Genomics, dedicada ao campo da genómica, e envolve o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), um centro de renome mundial na investigação da doença, e a organização chinesa BGI (antigo Beijing Genomics Institute), o maior centro de sequenciação genómica do mundo.

Este é “o protótipo de uma daquelas colaborações que podem funcionar, seria absolutamente impossível para nós com o financiamento que temos atualmente fazer uma coisa deste género sozinhos”, salientou Carla Oliveira.

“Espero que o sucesso do projeto seja definido pelo facto de a parceria ser feliz. Por juntar três entidades que estão envolvidas a fundo numa questão única”, frisou.

Segundo a investigadora do IPATIMUP, “esta é uma nova abordagem ao estudo do cancro do estômago, em que vai ser usada estratificação molecular de doentes antes da sequenciação massiva de material genético. Este é mais um passo para explorar a medicina personalizada para aplicação em doentes com cancro do estômago.”

Também André Albergaria, responsável pela Unidade de Translação do laboratório, considerou que “o projeto representa para o IPATIMUP uma forte aposta na ligação entre a investigação básica e a sua aplicabilidade às empresas com o objetivo de obter tratamentos mais dirigidos e de melhorar a qualidade de vida dos doentes com cancro do estômago”.

O projeto, com um orçamento inicial de mais de 900.000 dólares, será financiado em grande parte pelo BGI, “num exemplo raro de cooperação e investimento luso-chinês nesta área”, disse Nuno Arantes e Oliveira, co-fundador e CEO da Coimbra Genomics.

O responsável salientou que se trata de "um exemplo de confluência de interesses e complementaridade de recursos: a enorme capacidade técnica e financeira do BGI e o incomparável historial científico do IPATIMUP nesta área, a que se junta o ímpeto empreendedor da Coimbra Genomics para tentar resolver um problema de âmbito mundial".

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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