Congresso debate implicações psicológicas das alergias alimentares

O 2.º congresso nacional "Conversas de Psicologia", que se realiza a 04 e 05 de novembro, em Coimbra, vai debater as implicações psicológicas das alergias alimentares, um conceito "pouco explorado em Portugal".

"Há um conjunto de fatores psicossociais que podem ter influência nas pessoas que têm alergias alimentares", podendo ter impacto na qualidade de vida ou no aumento dos níveis de ansiedade, disse à agência Lusa a psicóloga Cátia Lopes, uma das oradoras do painel "Psicologia nas Alergias Alimentares", que se realiza na manhã do segundo dia do evento organizado pela Associação Portuguesa Conversas de Psicologia.

Segundo Cátia Lopes, alergias ao ovo, glúten ou às LTP (proteínas transportadoras de lípidos - presentes em diversas frutas e vegetais), que estão presentes em muitas refeições e alimentos, podem ter um "impacto psicológico nas pessoas".

"As alergias alimentares não são uma simples preocupação de ficar com umas borbulhas. A alergia alimentar pode levar à morte e é mais frequente do que as pessoas julgam", apontou, considerando que "há o medo constante", nas pessoas com alergia, de ingerirem um alimento que contenha algo que provoque uma reação alérgica.

Para além disso, ao ter de se evitar diversos alimentos, pode-se "deixar de poder comer em restaurantes" e, em eventos sociais, pode ter de levar a sua comida, "o que é socialmente mais difícil de aceitar", referiu.

Para a psicóloga, é necessário sensibilizar "escolas, restaurantes, empresas de agências de viagem", bem como companhias aéreas, para esta problemática, dando o exemplo de que, ao contrário de Portugal, todas as escolas nos Estados Unidos "têm disponíveis injeções de adrenalina para quando alguém tem uma reação alérgica".

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