Cirurgiões suspendem operações nas Caldas da Rainha, mas hospital nega cancelamentos

Avaria no ar condicionado leva médicos a escreverem carta à direção clínica negando-se a operar
20 de maio de 2013 - 15h00



A administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) assegurou hoje que nenhuma cirurgia foi adiada no hospital das Caldas da Rainha, onde os cirurgiões anunciaram a suspensão das operações programadas devido a avaria no ar condicionado do bloco operatório.



“Nenhuma cirurgia foi adiada e nenhum doente deixará de ser operado”, disse à agência Lusa o presidente de conselho de administração do CHO, Carlos Sá.



Esta garantia foi dada depois de cirurgiões e anestesistas terem suspendido, a partir de hoje, todas as cirurgias programadas, alegando que o bloco operatório se transformou “numa ‘cabine de sauna’ que tem martirizado quem lá trabalha, pondo também em causa a segurança de doentes e profissionais”.



Em causa está uma avaria no sistema de ar condicionado que, segundo os médicos, carece de um novo equipamento de refrigeração do ar através da circulação de água fria, sem o qual, segundo os cirurgiões “o bloco chega a ter temperaturas de 38º”.



Em comunicado enviado à Lusa, o conselho de administração do CHO (onde se integra o hospital das Caldas da Rainha) admite que o equipamento se encontra “avariado desde novembro 2012”, mas assegura que “a situação foi resolvida através da adjudicação de um novo equipamento, no passado mês de abril” e que, segundo Carlos Sá, “estará em funcionamento nos próximo dias 06 ou 07 de junho”.



A demora prende-se, segundo a administrador, com o facto de o equipamento ser “feito de acordo com as condições técnicas, à medida e em função do local onde é instalado, demorando cerca de dois meses a ser produzido, no estrangeiro”.



No comunicado, a administração sublinha que, “a parte de aquecimento, humidade e filtragem do ar se encontram a funcionar em perfeitas condições”, pelo que o bloco operatório continua “em funcionamento dentro de condições de segurança para os profissionais e doentes”.



Uma garantia que não demove os cirurgiões e anestesistas que, segundo o presidente do Distrito Médico do Oeste, Pedro Coito, “vão manter a suspensão das cirurgias de rotina até que o equipamento esteja a funcionar devidamente”.



Pedro Coito confirmou à Lusa que “só não houve cirurgias adiadas porque nem sequer foram marcadas” e que, no bloco operatório, serão apenas realizadas “cirurgias urgentes que obviamente não se podem adiar”.



Já do lado da administração, a garantia é de que “a programação da atividade cirúrgica será adequada às condições existentes até à normalização do funcionamento do circuito de arrefecimento de água”, não se prevendo “que venha a existir a necessidade de cancelar quaisquer cirurgias”, uma vez que no CHO “existem dez salas operatórias e, por essa razão, os utentes não deixarão de ser operados, sendo referenciados, caso necessário, para as várias Unidades do CHO, nomeadamente os hospitais de Alcobaça, Torres Vedras e Peniche”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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