Cientistas querem ter uma palavra a dizer nas políticas para a ciência

O documento que resultou do Encontro de Cientistas 2015, e que juntou investigadores de todas as áreas, é entregue esta sexta-feira de manhã (11h00) no parlamento, reclamando junto dos deputados um papel mais interventivo dos cientistas na definição das políticas de ciência.
créditos: AFP

“A ciência não tem tido da parte do Governo, minimamente, a atenção que esperávamos que tivesse. O governo da ciência tem sido um total desgoverno, prejudicando aquilo que vínhamos fazendo e prejudicando até a imagem que tínhamos conquistado em termos internacionais. Esperamos que alguns ventos de mudança possam mudar este estado de coisas”, disse à Lusa a presidente da Associação Portuguesa de Sociologia, Ana Romão, em representação da organização da iniciativa.

O documento ‘Reflexões Finais’ que resultou do Encontro de Cientistas 2015 é subscrito por todos os organizadores e é hoje entregue aos deputados da comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura.

O documento reivindica para os cientistas um papel de” intervenção responsável nos processos e decisões sobre política científica e sobre os seus impactos nas pessoas, instituições e nações” e recusa que “a busca pela excelência” represente “o recuo para visões unidimensionais da prática científica, nem tampouco uma concentração/rarefação de recursos que leve, a prazo, ao desaparecimento competitivo de vastas áreas do conhecimento”.

Afirmam ainda que a política de ciência necessita de “estabilidade e previsibilidade de financiamento”, apelando a um retomar do investimento público em investigação e desenvolvimento.

À entrega deste documento aos deputados da comissão parlamentar vai seguir-se, em tempo de campanha eleitoral, o seu envio às bancadas parlamentares dos partidos com representação na Assembleia da República.

“Vamos continuar a fazer outras iniciativas no sentido de garantir que as questões da ciência e os problemas graves que temos neste momento entrem de facto na agenda política e que possam mudar as más decisões que têm vindo a ser tomadas, que prejudicam muito aquilo que foram conquistas importantes do nosso sistema científico”, disse Ana Romão.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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