Cientistas portugueses criam biomaterial cardíaco para implante após enfarte

Ideia passa por colocar biomaterial no local danificado para incentivar recuperação do tecido
4 de fevereiro de 2014 - 14h26



Investigadores portugueses encontraram um material de origem natural que funciona como suporte de células cardíacas, colocadas no coração para substituir outras danificadas por enfarte do miocárdio, e que sobrevivem sem estímulo elétrico.



Ana Martins, cientista do Grupo 3B's (Biomateriais, Biodegradáveis, Biomiméticos) da Universidade do Minho apresentou hoje à agência Lusa os resultados do trabalho que estudou a aplicação de um material natural para aplicações cardíacas, desenvolvido em colaboração com a Universidade da Columbia, nos Estados Unidos.



"A ideia é colocar um material com células no sítio que está danificado [por enfarte do miocárdio] e recuperar aquele tecido", especificou a investigadora.



"Desenvolvemos um material à base de quitosano, um material natural, com carbono, com o objetivo de cultivar células cardíacas para que elas sobrevivessem pelo maior tempo possível", disse Ana Martins, acrescentando que se "concluiu que as células de rato, após terem sido cultivadas neste material, foram capazes de sobreviver por 14 dias sem estímulo elétrico".



O trabalho agora publicado na Biomacromolecules, provou também que o material desenvolvido não é tóxico.



Estudo em ratinhos de laboratório



Os investigadores extraíram células cardíacas de rato, depois cultivadas ´in vitro´.



Com o novo material, "sem dar qualquer estímulo elétrico, vimos que são capazes de sobreviver", explicou Ana Martins.



O próximo passo é testar o material e o procedimento "num modelo ´en vivo´ de enfarte do miocárdio", acrescentou.



O coração tem uma particularidade relativamente a outros orgãos relacionada com o facto de as suas células terem de contrair, para permitir o batimento cardíaco, e de passar corrente elétrica.



Assim, o material que vai receber e consolidar as células "tem de ser ao mesmo tempo resistente e elástico, conduzir a corrente elétrica, e não ser tóxico" disse a investigadora, realçando que "reunir essas condições todas é difícil".



Depois de testar vários materiais condutivos, o melhor resultado foi obtido com o carbono, que foi junto ao quitosano, que é habitualmente extraído de cascas de crustáceos, como o caranguejo.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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