Cientistas australianos desenvolvem vacina contra variantes da malária

A malária mata anualmente aproximadamente 700 mil pessoas.

30 de abril de 2013 - 10h40

Cientistas australianos desenvolveram uma vacina capaz de combater todas as variantes da malária que existem no mundo, cujos testes clínicos vão ter início no final do próximo ano, foi hoje anunciado.

Os investigadores desenvolveram esta vacina, que atua na etapa de infeção sanguínea, depois de terem alterado geneticamente uma estirpe do parasita da malária, explicaram especialistas do Instituto Walter e Eliza Hall, de Melbourne, e do Instituto de Investigação Médica, de Queensland, que participaram no estudo.

Durante a fase de infeção sanguínea, os pacientes apresentam sintomas como dores de cabeça, febre, calafrios e dores nas articulações, segundo um comunicado emitido pelo centro de Melbourne.

A malária, que mata anualmente aproximadamente 700 mil pessoas, é causada pelo parasita Plasmodium, que se transmite através da picada de um mosquito infetado e que quando chega ao corpo se multiplica e infeta o organismo, podendo provocar a morte.

Krystal Evans, uma das líderes da investigação, explicou que o projeto se apoia num trabalho desenvolvido durante anos no sentido de identificar importantes moléculas no parasita da malária que podem ser detetadas pelo sistema imunológico.

Com os ensaios clínicos, procurar-se-á avaliar a eficácia da vacina na indução de uma resposta imunológica com vista à proteção contra a malária e, se possível, adicionar, na etapa seguinte, novas características que permitam prevenir o contágio.

Louis Schofield, outro dos líderes da pesquisa, explicou que as vacinas desenvolvidas pela extração de proteínas ou do ADN do parasita da malária limitam a sua ação a uma estirpe particular deste parasita, segundo a cadeia televisiva local ABC.

O cientista espera que um dia a malária seja erradicada, ainda que estime que possam ser necessárias algumas décadas.

Os fármacos que existem para o combate à malária, cujo componente ativo se baseia em artemisina, começam a encontrar resistência na fronteira entre a Tailândia e o Camboja, zona onde historicamente se desenvolveu, pela primeira vez, resistências contra os medicamentos, as quais se alastram a outros países.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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