Cientista portuguesa "maravilhada" com Nobel para doenças negligenciadas

A parasitologista portuguesa Maria Manuel Mota disse à agência Lusa ser "maravilhosa" a atribuição do Prémio Nobel da Medicina a investigadores que descobriram novas terapias para combater "doenças negligenciadas" no ocidente.
créditos: PAULO NOVAIS/LUSA

Maria Manuel Mota, investigadora do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Medicina de Lisboa, salientou o facto de a academia sueca ter premiado investigação sobre doenças que, hoje em dia, não são muito valorizadas no mundo ocidental mas que nos países mais pobres provocam centenas de milhares de mortes.

A academia sueca distinguiu na segunda-feira os investigadores norte-americano William C. Campbell e japonês Satoshi Omura, pela descoberta de uma nova terapia para combater doenças parasitárias, e a chinesa Youyou Tu pela investigação sobre um novo fármaco, igualmente inovador, que permitirá, nos próximos anos, com bater eficazmente a malária.

"É um prémio maravilhoso para a investigação sobre estas doenças, que não afetam o dia-a-dia no Ocidente, que não são globais, mas que incidem fortemente nos países menos desenvolvidos", afirmou a parasitologista portuguesa, aludindo ao novo medicamento, Artemisinin (desenvolvido a partir de ingredientes usados na medicina tradicional chinesa), que tem reduzido significativamente a taxa de mortalidade em doentes com malária.

Fármaco com os dias contados

No entanto, lembrou, o novo fármaco "terá os dias contados", pois a resistência ao medicamento por parte dos portadores acabará por prevalecer daqui a alguns anos, razão pela qual se deve continuar a apoiar financeiramente as investigações futuras, sobretudo em "doenças negligenciadas", como é o caso.

"Não podemos esquecer, por exemplo, a questão das atuais migrações para a Europa, que podem trazer novos problemas sanitários. Nunca se sabe, pelo que será necessário haver a disponibilização de mais fundos para prosseguir com as investigações", frisou Maria Manuel Mota, alertando que há ainda muito a fazer para erradicar o mosquito transmissor da malária.

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