Cidadãos criticam projetos previstos para os quatro hospitais de Lisboa

Médicos criticam destruição dos hospitais que estão em funcionamento, em vez de os recuperar
12 de julho de 2013 - 07h54



Os projetos previstos para a Colina de Santana, que contemplam intervenções nos hospitais dos Capuchos, Miguel Bombarda, São José e Santa Marta, em Lisboa, foram hoje criticados por cidadãos, entre os quais moradores e médicos.



No fim da apresentação do estudo prévio, que decorreu ao final da tarde na sede da Ordem dos Arquitetos, os populares manifestaram o seu descontentamento perante os quatro projetos apresentados pelos respetivos arquitetos.



Algumas das pessoas que intervieram residem próximo dos hospitais em causa e mostraram-se preocupadas com as questões da segurança, de volumetria dos edifícios projetados, os quais vão tapar a luz solar, além de questionarem várias opções tomadas em relação às soluções encontradas pelos autores dos projetos.



A Estamo, imobiliária de capitais exclusivamente públicos e detida pela Parapública, entregou à Câmara de Lisboa vários projetos que preveem a conversão daqueles quatro hospitais em espaços com valências hoteleiras, de habitação, comércio, estacionamento e lazer.



Alguns moradores manifestarem-se "apreensivos e chocados", caso os projetos avancem tal como estão. Duas médicas presentes na iniciativa demonstraram o seu desagrado pelo facto de Portugal "destruir hospitais que estão em funcionamento, em vez de os recuperar".



Outra das críticas feitas prende-se com a demolição do atual edifício do Instituto de Medicina Legal, que fica junto ao Hospital de São José e que passará a funcionar no futuro Hospital de Todos-os-Santos.



"Isto é o início, não o fim. Esta fase serve exatamente para discutir e encontrar as melhores soluções. Muitas das coisas que disseram aqui vão-nos obrigar a rever e a olhar para os projetos de outra forma, uma vez que não é um processo fechado", explicou o diretor municipal, Jorge Catarino Tavares.



O responsável informou ainda que o prazo para consulta e reclamações aos projetos, que terminava hoje, foi alargado até 31 de julho.



O vice-presidente da Câmara de Lisboa tinha explicado anteriormente à agência Lusa que a entidade promotora apresentou, para já, pedidos de informação prévia (PIP) para começar a "estabilizar o que se pode ou não fazer no conjunto" da Colina de Santana.



Segundo a informação disponível na página oficial da Câmara de Lisboa na Internet, para o Hospital de Santa Marta está previsto um hotel com 57 quartos, 90 fogos, 15 lojas, quase 200 lugares de estacionamento e jardins.



O projeto para o Hospital Miguel Bombarda (entretanto desativado) prevê a recuperação e a conversão da área de antigo Convento em hotel e em equipamento cultural, 192 fogos, serviços, jardins e um miradouro.



Também para o Hospital dos Capuchos está prevista habitação, serviços, espaços verdes e estacionamento (num silo automóvel).



No caso do projeto para o Hospital de São José, que apenas tem um vídeo disponível para consulta, Manuel Salgado disse que também está prevista habitação, serviços (alguns deles turísticos) e estacionamento.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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