Centros de saúde vão ter testes rápidos ao VIH a partir do segundo semestre

Taxa de diagnósticos tardios ao VIH/Sida em Portugal é de 65%
20 de março de 2013 - 09h50



Os centros de saúde vão passar a dispor de testes rápidos de diagnóstico da infeção por VIH a partir do segundo semestre deste ano, estando já disponíveis verbas para a aquisição de 40 mil testes.



Segundo o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infeção VIH/Sida, António Diniz, as administrações regionais de saúde (ARS) do Norte e do Centro já manifestaram disponibilidade para aderir ao programa .



O responsável assumiu esta como uma das prioridades do programa, uma vez que a taxa de diagnósticos tardios ao VIH/Sida em Portugal é de 65%, o dobro da registada na Europa.



2012 houve queda no número de diagnósticos precoces



No último ano, registaram-se menos quatro mil testes de diagnóstico precoce, um número que preocupa António Diniz, que já assumiu querer reduzir para 35% os diagnósticos tardios.



Para isso, serão disponibilizados testes rápidos nos cuidados de saúde primários de todo o país, estando já acordada a disponibilidade de seis centros de saúde no Norte e três no Centro.



Falta ainda estabelecer parcerias com as ARS do Alentejo, do Algarve e de Lisboa e Vale do Tejo, acrescentou, especificando, contudo, que este programa só arrancará a partir do segundo semestre, quando estiver estabilizado o programa de troca de seringas e o programa informático para conhecimento da infeção VIH.



Este programa informático tem estado para ser instalado nos hospitais há vários anos, mas só agora “está finalmente em aplicação e irá permitir ter informação do ponto de vista epidemiológico e clínico para conhecer evolução do VIH em Portugal”, explicou



Dos 17 hospitais previstos, 14 já têm o sistema em funcionamento: dois hospitais da Universidade de Coimbra, os hospitais de Setúbal, do Barreiro, Egas Moniz, Pulido Valente, Amadora-Sintra, Santarém, Tâmega e Sousa, Santa Maria e para breve os hospitais de Gaia, Braga, São João e Matosinhos.



“Estes hospitais abrangem 93% dos doentes. Ficam a faltar os hospitais de Cascais, Garcia de Orta e Centro Hospitalar do Porto, o que corresponde a cerca de 7% dos doentes”, adiantou.



António Diniz revelou também ter quase pronta a proposta de modelo de rede de referenciação hospitalar, que será entregue à tutela durante o mês de abril.



Falta de antirretrovirais ultrapassada



Sobre a falta de medicamentos antirretrovirais nos hospitais, por dificuldades financeiras, com que se depararam vários doentes no final do ano passado, o coordenador do programa de combate ao VIH assegura estar ultrapassada.



A situação foi averiguada junto dos hospitais e, em função dos dados recolhidos, foram apresentadas propostas ao Ministério da Saúde, que “terminaram num despacho” (de fevereiro) que determina como os hospitais devem proceder na distribuição dos medicamentos.



De acordo com este diploma legal, a “distribuição de fármacos a menos de 30 dias deve ser absolutamente excecional”, explicou, acrescentando que agora os hospitais são obrigados a cumprir esse prazo temporal.



“O papel do diploma foi assegurar às pessoas que têm mecanismos legais para fundamentar que a dispensa de medicamentos tem de ser feita mensalmente ou mais. Antes não existiam estes mecanismos, agora há regras, está perfeitamente claro como deve ser feito”, sublinhou.



Para António Diniz, é inaceitável ter pessoas a ir buscar semanalmente os medicamentos, porque isso é “criar condições para que as pessoas desistam de ir levantar a medicação”.



“Não podemos querer que as pessoas mantenham o tratamento e depois não lhes dar condições. Falhar o tratamento é o primeiro passo para a evolução da doença”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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