Centro Hospitalar do Oeste acusado de "desmantelar" unidade de Alcobaça

Ar condicionado, móveis, fotocopiadoras e desfibrilhador já sairão de Alcobaça
28 de agosto de 2013 - 20h00



O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) está a retirar equipamentos do hospital de Alcobaça, disse hoje à Lusa a comissão de utentes desta unidade, mas a administração do CHO nega as acusações.



Alguns utentes do hospital de Alcobaça, atualmente integrado no CHO, estão com receio de perder qualidade no serviço, pois acusam a administração de estar a transferir material de Alcobaça para a unidade hospitalar de Caldas da Rainha.



A necessidade de otimização “dos recursos existentes no antigo Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON) fez com que alguns equipamentos fossem transferidos entre as unidades hospitalares que o constituíam - Alcobaça, Caldas da Rainha e Peniche", explicou o Conselho de Administração (CA) do CHO.



Deste modo, no decorrer dos dois últimos anos, acrescentou ainda o CA, "vários foram os equipamentos que, não estando a ser utilizados na Unidade de Alcobaça, foram transferidos para as outras unidades do CHON", bem como "alguns equipamentos das Unidades de Caldas da Rainha e Peniche foram alocados na Unidade de Alcobaça, como acontece no processo de gestão de qualquer centro hospitalar".



O Centro Hospitalar Leiria-Pombal não quis fazer qualquer comentário.



A representante da comissão de utentes do hospital de Alcobaça, Rosa Domingues, confirmou a situação e mostrou preocupação com o facto de o hospital de Alcobaça ser integrado "nestas condições" no Centro Hospitalar Leiria-Pombal a partir do dia 01 de setembro.



Os utentes do Hospital de Alcobaça afirmam que o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) tem retirado material da unidade de Alcobaça para o hospital de Caldas da Rainha. Os utentes criticam ainda a falta de manutenção ou reparação dos equipamentos deteriorados.



Ar condicionado, móveis, fotocopiadoras e mais recentemente um desfibrilhador são alguns dos equipamentos que terão saído de Alcobaça.



"O equipamento de esterilização está avariado há muito tempo. Para ser esterilizado, o material vai às Caldas e volta. Tudo o que se tem avariado é encostado. Neste momento só existe um fax na secretaria e retiraram uma das fotocopiadoras novas. Estão a esvaziar o hospital. As coisas só correm bem devido à boa vontade de quem trabalha", adiantou Rosa Domingues.



Os utentes dizem ainda estar a ser “prejudicados há muito tempo”: “Recuperamos as listas de espera e o hospital tem tido as condições para prestar um bom serviço aos utentes, dentro daquilo que é a sua condição modesta".



"Quando soubemos que íamos ser integrados em Leiria ficámos satisfeitos, porque acreditamos que será melhor. Criámos uma expectativa, porque iríamos ter mais especialidades e o serviço seria melhor, mas tememos que não corresponda porque o hospital tem sido esvaziado", adiantou também Rosa Domingues.



A representante da comissão de utentes revela que toda esta situação foi dada a conhecer ao Ministério da Saúde, que pediu para que as denúncias fossem dirigidas à Administração Regional de Saúde do Centro.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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