Centro Hospitalar do Algarve assume gestão de urgências básicas a partir de agosto

Conselho de Administração vai recorrer a empresas de prestação de serviços para encontrar clínicos
10 de julho de 2014 - 17h01



O Centro Hospitalar do Algarve vai assumir a gestão dos Serviços de Urgência Básica da região a partir de 01 de agosto, tendo-lhe sido atribuída uma verba de 2,2 milhões de euros para o efeito, anunciou hoje a administração.



“A partir do dia 01 de agosto, os Serviços de Urgência Básica (SUB) de Loulé, Albufeira e Vila Real de Santo António serão da responsabilidade do CHA”, afirmou Pedro Nunes, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), num encontro com jornalistas, no hospital de Faro.



Pedro Nunes sublinhou que a intenção de transferir a gestão dos SUB da Administração Regional de Saúde (ARS) para o CHA - que desde a sua criação já agrupava os hospitais de Faro, Portimão e Lagos – tinha “vários anos”, mas só agora o Centro Hospitalar vai receber a verba que lhe permite iniciar a gestão dos outros três SUB que existem no Algarve.



“Nunca houve da parte do CHA nenhum obstáculo a que essa transferência se fizesse, mas a transferência do encargo implica duas coisas: a dotação dos meios financeiros necessários para gerir um novo objeto, porque o orçamento do hospital não contemplava a contratação de profissionais, os medicamentos e limpeza dos SUB, todos os gastos inerentes aos SUB, e por isso o orçamento do CHA teria de ser alterado para poder acomodar os SUB”, justificou.



Pedro Nunes alertou, no entanto, que pode haver turnos em que alguns dos serviços não disponham de clínicos, porque neste momento há urgências básicas asseguradas por profissionais de outras unidades que se voluntariam, assim como por Médicos de Família que não estão obrigados legalmente a fazer urgências e “só fazem se quiserem”.



O presidente do Conselho de Administração do CHA disse que vai “recorrer a empresas de prestação de serviços” para tentar encontrar clínicos para colmatar as escalas sem médicos, mas advertiu também que “muitas entram em rutura” e não conseguem depois dar resposta e disponibilizar os médicos pedidos, o que deixa a resolução do problema ainda mais dependente da boa vontade dos profissionais que se voluntariam.



O antigo bastonário da Ordem dos Médicos sublinhou, ainda, que o Algarve tem falta de médicos nos quadros e tem funcionado durante muitos anos “com reforços de verão ou contratações milionárias ao fim de semana”, opção que Pedro Nunes considerou ser “errada” e que, assegurou, “o Centro Hospitalar tem estado a tentar combater, abrindo concursos” para vagas que espera poder vir a preencher no futuro.



Esta atribuição da verba para a gestão dos SUB do Algarve por parte do CHA vem pôr termo a um diferendo que existia há meses entre a ARS e o Centro Hospitalar sobre quem tinha responsabilidade sobre essas unidades, que começaram a demonstrar, a poucos dias da época alta do verão, quebras em alguns turnos no atendimento médico, mas também nas limpezas e no material.



Estes problemas verificaram-se sobretudo em Loulé e Albufeira, que recebe muitos visitantes de férias no Algarve.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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