Centro hospitalar de Aveiro contra portaria que afasta especialidades do Baixo-Vouga

Classificação afasta de Aveiro especialidades como oftalmologia, cardiologia ou hematologia clínica
15 de abril de 2014 - 13h22



A direção da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) reclamou hoje uma melhor classificação para o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), manifestando "total discordância" em relação à portaria do Ministério da Saúde sobre a matéria.



A portaria 82/14, publicada em Diário da República na passada semana, categoriza os Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em grupos de I a IV, hierarquizando as unidades de acordo com a natureza das suas responsabilidades e as valências exercidas.



No âmbito daquela portaria, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), que integra os hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja, surge integrado no grupo I, "o mais baixo nível definido pela referida portaria", refere a CIRA num comunicado divulgado hoje.



A CIRA não concorda com esta classificação, defendendo que o CHBV "devia ser classificado, no mínimo, no Grupo II", dada a sua localização geográfica e a dimensão populacional da região de Aveiro servida pelo centro hospitalar, entre outros fatores.



Alienação de especialidades



Na mesma nota, a CIRA diz que o CHBV não vai ter valências como oftalmologia, cardiologia, hematologia clínica, neonatologia, ginecologia-obstetrícia e urologia, entre outras, especialidades que "revestem-se da maior importância em nome do serviço devido e próximo aos cidadãos da região de Aveiro".



Os municípios da região de Aveiro criticam ainda que o documento não tenha sido alvo de consulta e de discussão prévia com os órgãos do poder local e regional.



"Não pode um Governo que defende a descentralização praticar a decisão central, fechada e corporativa", refere o texto alusivo à reunião do conselho intermunicipal da CIRA, realizada na segunda-feira.



A CIRA diz ser "muito urgente" a alteração profunda do rumo e da gestão do conselho de administração do CHBV e do Ministério da Saúde, que "prosseguem o caminho do seu esvaziamento de competências e da sua descredibilização, afastando os serviços dos Cidadãos e reduzindo a sua qualidade, num clima conturbado, doentio e estranho".



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários