Cáritas apela a reabertura de gabinete apoio a toxicodependentes em Coimbra

Serviço ajudou mais de duas mil pessoas nos últimos dois anos

O gabinete de apoio a toxicodependentes (GAT) que encerrou na sexta-feira, na Baixa de Coimbra, ajudou 2.042 pessoas nos últimos dois anos, incluindo 430 trabalhadoras do sexo, segundo dados da Cáritas Diocesana.

Do total de “utentes acompanhados nos últimos 24 meses”, a maioria são toxicodependentes (1422), a que se juntam 430 trabalhadoras do sexo, 155 sem-abrigo e 35 pessoas com problemas de alcoolismo.

Desde 2010, o número de seringas entregues aos utentes ascende a 257.762, enquanto o total de preservativos ronda as 136 mil unidades, de acordo com registos da Cáritas de Coimbra a que a Lusa teve hoje acesso.

Cento e setenta utentes foram alvo de rastreios de VIH no mesmo período, 128 dos quais realizados no próprio GAT.

Foram ainda efetuados 115 rastreios de tuberculose, além de 51 rastreios de hepatites.

O GAT, que funcionava há quatro anos no Terreiro da Erva, foi encerrado “por não ter sido renovado o seu enquadramento e financiamento” por parte do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), organismo público que substituiu há um ano o Instituto da Droga e da Toxicodependência.

Nos últimos três anos (2010-2012), foram registadas duas novas infeções por VIH, “em contraste com cinco infeções por VIH sinalizadas” de 2007 a 2009, de acordo com a Cáritas.

Além das “funções normais de uma equipa de rua”, como a troca de material e a realização de giros, o GAT prestava igualmente serviços de higiene pessoal, lavagem e tratamento de roupa, cuidados básicos de enfermagem, fornecimento de géneros alimentares e donativos vários.

Tendo sido aberto pelo SICAD “um procedimento para financiamento de uma equipa de rua para a área geográfica abrangida pelo GAT”, a Cáritas apresentou, na sexta-feira, uma candidatura.

“A ser aprovada, esta só abrange os serviços de equipa de rua, excluindo todos aqueles que o GAT proporcionava ao nível das necessidades básicas, higiene e alimentação”, alerta aquela instituição, numa nota enviada à Lusa.

Entretanto, a equipa técnica do gabinete “procedeu a todas as diligências para encaminhar devidamente os utentes para os diversos serviços de apoio existentes na cidade, embora o seu número e necessidades específicas tornem este processo difícil”.

A Cáritas irá, “de todas as formas”, diligenciar no sentido da reabertura do GAT do Terreiro da Erva.

Foto: http://anima2010.blogspot.pt

07 de janeiro de 2012

@Lusa

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