Cancro/Alzheimer: Cientista portuguesa descobre mecanismo celular que pode ajudar a desmistificar estas doenças

A investigadora portuguesa Cláudia Almeida, que trabalha em França, descobriu um mecanismo de regulação do tráfego de proteínas dentro das células do corpo humano que poderá ajudar no tratamento do cancro ou da doença de Alzheimer.

A descoberta surgiu no âmbito de uma investigação liderada pela cientista portuguesa Cláudia Almeida, com o intuito de perceber as razões que levam algumas proteínas a não chegar aos seus destinos dentro das células, originando patologias.

A partir do estudo, a cientista concluiu que a proteína myosin 1b é responsável pela deformação das paredes do Golgi, a estrutura celular responsável pela criação e transporte de moléculas aos seus destinos, o que consequentemente provoca uma incorreta distribuição das moléculas na célula.

Ao SAPO, a investigadora esclareceu que esta descoberta é importante na procura da cura para patologias como a doença de Alzheimer ou o cancro, já que "perceber os processos celulares contribui para compreender de que forma as células deixam de funcionar e levam ao desenvolvimento destas doenças".

Segundo a cientista, o estudo, já publicado na revista Nature Cell Biology, é "particularmente interessante se considerarmos o número de doenças ligadas a distribuições aberrantes na célula", das quais as patologias neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, são exemplo. A autora da investigação salienta que "percebendo-se os mecanismos responsáveis pela arrumação das moléculas, é mais fácil entender os problemas por detrás das doenças".

"Até recentemente o Golgi era considerado uma simples extensão de outra estrutura celular, o Reticulo Endoplasmatico, mas agora sabe-se que é uma estrutura autónoma importante para uma correcta divisão celular, o que de imediato levanta a questão do seu papel no desenvolvimento de cancro e da doença de Alzheimer", indica investigadora, focando a crescente relação entre problemas no Golgi e doenças neurodegenerativas.

@Nuno de Noronha

10 de julho de 2011

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