Cancro mata menos nos países que gastam mais em saúde

Portugal tem a despesa mais baixa dos países da Europa ocidental
30 de setembro de 2013 - 11h55



A mortalidade por cancro é menor nos países da União Europeia com maior despesa na área da saúde, especialmente em casos de cancro da mama, revela um estudo apresentado no sábado no Congresso Europeu de Cancro 2013, em Amesterdão.



Nos países em que o Governo gasta em saúde menos de 2000 dólares anuais por pessoa (1500 euros), como a Roménia, a Polónia e a Hungria, cerca de 60% dos doentes morre após o diagnóstico de cancro, enquanto nos que despendem entre 2500 e 3000 dólares (1800 a 2200 euros), como Portugal, Espanha e Reino Unido a mortalidade ronda os 40 a 50 por cento. Entre os países da Europa ocidental, Portugal tem o gasto per capita mais baixo: 2690 dólares, cerca de 1990 euros.



Em França, na Bélgica e na Alemanha, com um gasto acima dos 4000 dólares (perto dos 3000 euros), a mortalidade está abaixo dos 40%. Segundo os autores do estudo, citados pela agência noticiosa EFE, a riqueza e o investimento na área da saúde estão associados tanto à incidência de cancro como também à mortalidade causada por esta doença. O trabalho foi também publicado neste sábado na revista científica especializada “Annals of Oncology”.



Discrepância na Europa, sugere estudo



Um dos autores, o oncologista brasileiro Felipe Ades, sublinha que quanto mais dinheiro se destina à saúde menor é o número de mortes após o diagnóstico de um cancro e que esta relação é “mais evidente” no caso do cancro da mama.



Os investigadores observam ainda que, apesar de todas as iniciativas para harmonizar as políticas de saúde, existe uma “diferença significativa” entre a despesa pública e a incidência de cancro nos 27 Estados da União Europeia. Essas discrepâncias são ainda mais claras entre os países europeus de leste e os ocidentais.



O estudo sugere que a existência de um maior número de programas de triagem neste último grupo permite detetar mais casos de cancro nas fases precoces.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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