Cancro está a deixar de ser "incurável" para passar a "doença crónica"

Atitude proactiva do doente e o diagnóstico precoce são cruciais, defende especialista
25 de março de 2014 - 08h50
O médico especialista em Oncologia Sérgio Barroso defendeu hoje que o cancro está a deixar de ser uma “doença incurável” para se tornar numa doença crónica, com tratamento ou até cura, graças às inovações científicas mais recentes.
“Um dos nossos desafios principais é conseguir transformar o cancro numa doença crónica. Já o conseguimos fazer em muitas situações” e, noutros casos, “também conseguimos curá-lo verdadeiramente, através de técnicas de cirurgia ou de radioterapia ou de medicamentos”, salientou.
O especialista, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), reconheceu à agência Lusa que, “infelizmente, há ainda uma parte” dos casos de cancro que não se consegue curar.
Mas as inovações científicas que “a cada ano” têm surgido, disse, são “contributos que, no seu conjunto, se têm traduzido por aumentos significativos da sobrevivência dos doentes” e da sua “qualidade de vida”.
Por isso, sublinhou, o cancro não deve continuar a ser encarado, de forma geral, “como uma doença incurável, sem tratamento ou invariavelmente mortal”.
“Devemos considerá-la como uma doença que, na maior parte dos casos, já tem tratamento” e em que é possível “aumentar a esperança de vida dos doentes e a sua qualidade de vida”, afiançou.
Profissionais reúnem-se em Évora
Os avanços científicos mais recentes nesta área, responsáveis pela mudança de paradigma em relação ao cancro, vão estar em debate na 10.ª edição dos Encontros da Primavera de Oncologia, em Évora.
O evento, organizado pelo Serviço de Oncologia do HESE, vai decorrer a partir de quinta-feira e até sábado, devendo juntar perto de mil profissionais de Saúde.
Esta reunião serve, frisou Sérgio Barroso, para fazer “uma atualização dos últimos conhecimentos e avanços científicos”, o que ajuda os profissionais de oncologia a ficarem “mais bem apetrechados para lidar com as situações diferentes e difíceis que todos os dias surgem”.

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