Cancro anal está a aumentar entre homossexuais, médico alerta para importância da vacinação

Vacina quadrivalente previne vários tipos potencialmente cancerígenos do vírus HPV
8 de setembro de 2014 - 17h01
São 400 os novos casos de cancro anal detetados em Portugal todos os anos, sendo 40 por cento detetados em homens, com especial incidência nos que têm relações homossexuais. A doença é provocada pelo vírus do papiloma humano (HPV), o mesmo que desencadeia o cancro do colo do útero e alguns cancros orais.
A Organização Mundial de Saúde recomenda o recurso à vacina quadrivalente contra o HPV, inserida no plano nacional de vacinação, mas que não é comparticipada para indivíduos do sexo masculino. 
Porém, vários estudos têm demonstrado a eficácia da vacina também na prevenção do cancro anal.
"A vacina já tem provas dadas na prevenção do cancro do colo do útero, mas a investigação sobre os benefícios desta vacina não parou por aí. Prosseguiu ao longo de vários anos e agora concluiu-se que também ajuda a prevenir o cancro anal", diz Daniel Pereira da Silva, médico ginecologista, citado pelo jornal Correio da Manhã. 
O diretor do serviço de ginecologia do Instituto Português de Oncologia de Coimbra reforça ainda que a vacina quadrivalente também já revelou benefícios na prevenção do cancro oral.
Os cancros do colo do útero e anal têm a mesma origem: o vírus do papiloma humano. Os tipos 6 e 11 são benignos e provocam verrugas genitais de fácil tratamento. Os tipos 16 e 18 têm potencial oncológico, podendo desencadear cancro do colo do útero, da vulva, da vagina, do ânus e da orofaringe.
"Nem todas as pessoas infetadas com HPV tipo 16 ou 18 desenvolvem a doença. Há uma multiplicidade de fatores que facilitam o surgimento do cancro", diz o especialista, citado pelo referido jornal. 
A vacina quadrivalente não é um tratamento. A sua ação ajuda a prevenir a infeção e assim reduzir o número de casos de cancro.
Por SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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