Biópsias renais em Portugal aumentaram em quase uma centena em 2013

Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal
12 de março de 2014 - 11h55



Em 2013 realizaram-se 788 biópsias renais a nível nacional, mais 88 do que no ano anterior, de acordo com o Gabinete de Registo das Biópsias Renais da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN). O maior número de biópsias renais concentrou-se na região Sul e Ilhas (405, segundo dados estimativos), seguida da região Norte (295) e da região Centro (88).



De acordo com os mesmos dados, do total de biópsias renais realizadas em 2013, 40 foram realizadas em doentes com menos de 15 anos de idade, o que corresponde a 3,3%.



“Não têm existido variações significativas no número de biópsias renais realizadas em Portugal mas, no último ano, verificou-se um aumento significativo”, refere Fernanda Carvalho, médica nefrologista, Vice-Presidente da SPN e Coordenadora Nacional do Gabinete de Registo das Biópsias Renais.



800 mil pessoas com doença renal crónica



A biopsia renal é um instrumento fundamental para detetar uma possível lesão renal, não identificada através de outros procedimentos. “Entre as principais indicações da biopsia renal destacam-se a proteinúria persistente (presença de proteínas na urina), a hematúria frequente (presença de sangue na urina), a insuficiência renal aguda de causa inexplicável ou prolongada duração, a síndrome nefrótica e as alterações renais produzidas durante determinadas doenças sistémicas”, refere Fernanda Carvalho.



De acordo com Fernando Nolasco, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, “nos últimos anos, tem-se assistido a um aumento da prevalência da doença renal na população com mais de 65 anos. Neste sentido, é necessária uma maior vigilância junto da população mais envelhecida por forma a detetar o mais precocemente possível estas doenças”.



Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem qualquer possibilidade de recuperação.



Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem atualmente cerca de 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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