BE acusa Governo de querer reduzir SNS a “uma miniatura”

João Semedo vai pedir audições de médicos especialistas no Parlamento
17 de abril de 2014 - 11h22



O coordenador do BE João Semedo acusou hoje o Governo de querer reduzir o Serviço Nacional de Saúde a "uma miniatura", encerrando serviços prestigiados, como os de cirurgia cardiotoráxica de Santa Cruz, em Carnaxide, e do hospital de Gaia.



"O Governo quer reduzir o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a um mini SNS, esta é a reforma do Estado de Paulo Portas, a reforma do corte e do cortar por cortar, não há nenhuma justificação", afirmou João Semedo, em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital de Santa Cruz, onde esteve reunido com os diretores de serviços.



Recordando que a semana passada o Governo aprovou uma portaria que categoriza os hospitais do SNS em grupos de I a IV, hierarquizando as unidades de acordo com a natureza das suas responsabilidades e as valências exercidas, o coordenador do BE acusou o executivo de querer reduzir o SNS a "um mini SNS".



"Esta portaria é uma tentativa do Governo de reduzir o SNS a uma miniatura, aqui no Hospital de Santa Cruz significa entre outros aspetos o encerramento de serviços altamente diferenciados e altamente prestigiados na medicina portuguesa", disse, referindo-se à cirurgia cardiotoráxica, à cirurgia para crianças, aos próprios serviços de cardiologia que "são dos melhores serviços do país".



Insistindo que "não há nenhuma lógica no seu encerramento", o coordenador do BE recusou que se possa chegar a uma situação como a que está prevista na portaria em que uma criança "só pode ser operada em Lisboa, Porto ou Coimbra ou uma mulher para ter um filho possa apenas ter o seu parto em 13 cidades do país".



"Isto é retrocesso de décadas, é regressar a um Portugal pequenino e atrasado", frisou.



João Semedo adiantou ainda que o BE vai apresentar hoje na Assembleia da República um requerimento para ouvir os diretores de serviço de cardiologia e de cirurgia cardiotoráxica de Santa Cruz e do Hospital de Gaia, "ótimos serviços" que, com "a reforma do Estado do doutor Paulo Portas e do doutor Paulo Macedo para poupar dinheiro com a saúde dos portugueses", podem fechar.



"A portaria é permitir a cobertura legal para que as administrações dos hospitais possam encerrar os serviços que entenderem para equilibrar as contas e poupar na saúde dos portugueses", acrescentou o coordenador do BE.



Segundo um despacho publicado no final da semana passada em Diário da República, o Ministério da Saúde propõe o fim da cirurgia cardiotorácia no hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, e no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.



A portaria estabelece que o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (a que pertence Santa Cruz) e o Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia deixarão de exercer as valências de farmacologia clínica, genética médica, cardiologia pediátrica, cirurgia cardiotorácica e cirurgia pediátrica.



A portaria determina que as instituições hospitalares cumprem as reorganizações propostas até 31 de dezembro de 2015.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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